Funcionária é humilhada em empresa de Pouso Alegre e Justiça manda pagar indenização

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Empresa de Pouso Alegre é condenada pela Justiça do Trabalho após expor funcionária ao ridículo em votação interna com apelidos ofensivos
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Uma “brincadeira” interna terminou em condenação judicial em Pouso Alegre, no Sul de Minas. A Justiça do Trabalho determinou que uma empresa pague R$ 5 mil por danos morais a uma ex-funcionária que foi exposta ao ridículo diante dos colegas ao receber o título de “Rainha do Absenteísmo”.

O caso aconteceu em dezembro de 2024, durante uma ação chamada “Melhores do Ano”. Segundo o processo, a coordenadora da equipe criou uma votação usando o Google Forms e divulgou o link em um grupo de WhatsApp da empresa. O problema é que, além de categorias de reconhecimento, a lista incluía rótulos claramente ofensivos.

Entre eles estavam títulos como “O puxa-saco do ano”, “O andarilho” — para quem supostamente circulava demais durante o expediente — e a “Rainha do Absenteísmo”, usada para apontar a funcionária que mais faltava ao trabalho.

A humilhação foi coletiva. O resultado da votação foi exibido em um telão, com foto da funcionária, diante de todos os colegas. Os “vencedores” das categorias depreciativas receberam como prêmio uma caixa de panetone. A trabalhadora não estava no evento, mas ficou sabendo depois, por colegas, que havia sido alvo da exposição.

Na defesa, a empresa alegou que a iniciativa ocorreu sem autorização da diretoria e disse que a funcionária teria pedido demissão voluntariamente. A 1ª Vara do Trabalho de Pouso Alegre rejeitou os argumentos.

Para o juiz, ficou caracterizada a humilhação no ambiente de trabalho. A Justiça reconheceu a rescisão indireta do contrato, quando a conduta do empregador torna impossível a permanência do trabalhador na empresa. Além da indenização, a ex-funcionária terá direito ao recebimento de todas as verbas rescisórias previstas em lei.

A decisão serve de alerta: práticas internas que expõem funcionários ao ridículo, mesmo sob o pretexto de “brincadeira”, podem virar caso de Justiça e custar caro.