Medidas apresentadas nesta quarta-feira, 2, envolvem incêndios, chuvas intensas, segurança hídrica, saúde e assistência às populações vulneráveis. Governo Federal detalha ações para prevenir e responder aos possíveis efeitos do El Niño em diferentes regiões do Brasil, com investimentos em saúde, água e prevenção de desastres
O Governo Federal apresentou nesta quarta-feira, 2, as ações de preparação e resposta aos possíveis efeitos do El Niño nas diferentes regiões brasileiras. As medidas foram detalhadas durante uma entrevista coletiva com veículos de imprensa regionais, realizada após uma série de reuniões com gestores estaduais e municipais dentro da agenda “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027”.
A estratégia considera que os efeitos do fenômeno não serão iguais em todo o território nacional. Por isso, as ações foram estruturadas de acordo com os riscos e as características de cada região, envolvendo prevenção de desastres, combate a incêndios, segurança hídrica, saúde, assistência humanitária e recuperação de áreas atingidas.
Participaram da coletiva a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional em exercício, Valder Ribeiro de Moura.
Durante a apresentação, a ministra da Casa Civil também destacou a importância da imprensa na divulgação de informações confiáveis e baseadas em evidências científicas. Segundo Miriam Belchior, os meios de comunicação têm papel fundamental na orientação da população sobre os riscos associados aos eventos climáticos e sobre as medidas que podem ser adotadas para prevenção e resposta.
Riscos diferentes em cada região
O planejamento federal leva em consideração as características específicas do território brasileiro.
Na Amazônia, os principais pontos de atenção são a possibilidade de seca e o aumento do risco de incêndios. No Nordeste, o eventual atraso das chuvas pode afetar a produção agrícola, especialmente na região do Matopiba, área de expansão do agronegócio no Cerrado.
No Centro-Oeste, as queimadas também aparecem entre as principais preocupações. Já no Sudeste, o cenário inclui possibilidade de ondas de calor e incêndios, enquanto a Região Sul pode enfrentar excesso de chuvas, com risco de enchentes e deslizamentos.
Sudeste terá atenção especial para calor e saúde
No Sudeste, o planejamento federal considera como possíveis impactos do El Niño a ocorrência de ondas de calor e atraso nas chuvas.
Na área da saúde, está prevista a descentralização da Força Nacional do SUS (ForSUS), com a criação de uma base regional no Rio de Janeiro. A estrutura deverá oferecer suporte às ações de atendimento em situações de emergência e desastres.
Outra iniciativa prevista é a criação do Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC), em Belo Horizonte (MG).
O centro deverá reunir informações e análises sobre os impactos dos eventos climáticos na saúde da população. Entre os fenômenos monitorados estarão ondas de calor, chuvas intensas, inundações, estiagens, secas e incêndios florestais.
A proposta é que os dados produzidos pelo CISC contribuam para orientar a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos diferentes cenários climáticos.
Para a prevenção de desastres, o Novo PAC prevê R$ 8,7 bilhões em investimentos no Sudeste. Desse montante, R$ 6,7 bilhões serão destinados à drenagem urbana e R$ 2 bilhões à contenção de encostas.
Centro-Oeste terá reforço contra incêndios
Entre as medidas destinadas ao Centro-Oeste está o reforço da preparação das equipes estaduais responsáveis pelo combate aos incêndios, incluindo os Corpos de Bombeiros.
Segundo o ministro João Paulo Capobianco, o Governo Federal também realizou reuniões com comandantes das Polícias Militares. A estratégia busca ampliar a atuação preventiva e permitir que as forças de segurança auxiliem tanto na orientação da população quanto na fiscalização e responsabilização de quem utilizar o fogo de maneira irregular.
Com recursos do Fundo Amazônia, foram destinados R$ 521 milhões para ações de prevenção e combate aos incêndios na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.
Os recursos possibilitaram a compra de 500 veículos e 33.800 equipamentos de proteção individual, além da reforma de 30 bases operacionais.
Na área de segurança hídrica, estão previstos R$ 50,5 milhões para o Centro-Oeste. Para obras estruturantes destinadas à prevenção de desastres provocados por chuvas intensas, a previsão é de R$ 248,4 milhões.
Sul se prepara para excesso de chuvas
Na Região Sul, o cenário de atenção é diferente. O possível impacto do El Niño envolve chuvas acima do normal, aumentando o risco de enchentes e deslizamentos.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional em exercício, Valder Ribeiro de Moura, apresentou as medidas de acompanhamento e preparação desenvolvidas em conjunto com os órgãos estaduais de Defesa Civil.
A atuação federal prevê não apenas prevenção, mas também resposta a eventuais ocorrências, incluindo ajuda humanitária, socorro imediato e recuperação e reconstrução de estruturas danificadas.
Ao longo dos últimos períodos, foram destinados cerca de R$ 30 milhões para planos de combate às inundações.
Além disso, estão previstos R$ 8,8 bilhões em obras de prevenção de desastres nos três estados da Região Sul, incluindo projetos de contenção de encostas e drenagem urbana.
Nordeste concentra ações de segurança hídrica
No Nordeste, a disponibilidade de água e os possíveis reflexos sobre a produção e o abastecimento de alimentos estão entre os principais pontos de atenção.
De acordo com Miriam Belchior, o monitoramento indica que os principais reservatórios nordestinos apresentam atualmente uma situação considerada confortável quando comparada a outros períodos.
A região também conta com investimentos em infraestrutura de segurança hídrica, incluindo o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF).
Ao todo, estão previstos aproximadamente R$ 10 bilhões para a construção de 2.800 quilômetros de canais e adutoras, além de novos reservatórios capazes de acrescentar 2,2 milhões de metros cúbicos de água à capacidade disponível.
O planejamento inclui ainda a recuperação de 162 barragens e 172 mil cisternas.
Entre as obras de integração e expansão do PISF estão os ramais do Apodi e do Salgado, o Cinturão das Águas, a ampliação do bombeamento do Eixo Norte e a Adutora do Agreste.
O conjunto dessas intervenções representa R$ 4,8 bilhões em investimentos e deve alcançar aproximadamente 12 milhões de pessoas.
Em situações emergenciais de escassez, a Operação Carro-Pipa é utilizada para garantir o abastecimento de comunidades atendidas pelo programa. A operação já recebeu R$ 2,1 bilhões e atende, em média, 1,6 milhão de pessoas por mês.
Norte terá alimentos e água antecipados para comunidades isoladas
Na Região Norte, uma das estratégias adotadas pelo Governo Federal é antecipar o envio de água e alimentos para municípios onde existem comunidades isoladas.
A ideia é posicionar os insumos mais próximos das áreas consideradas de maior risco, permitindo que estados e municípios façam a distribuição às famílias em situação de maior vulnerabilidade.
O governo também informou que possui um conjunto de aeronaves previamente contratadas que poderá ser acionado para reforçar a operação, caso seja necessário.
Além das 160 mil cestas de alimentos já antecipadas, outras 350 mil cestas deverão ser destinadas a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
Na área de segurança hídrica, investimentos do Novo PAC e do Fundo Amazônia somam R$ 582 milhões para a Região Norte.
Desse total, estão previstos R$ 181 milhões para ações de água rural, R$ 330 milhões para a implantação de 10.671 sistemas sanitários e R$ 55 milhões para soluções de acesso à água em aldeias indígenas.
Preparação exige integração
Ao apresentar as medidas, o Governo Federal reforçou que a preparação para eventos climáticos depende da atuação coordenada entre União, estados e municípios.
As reuniões dos Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027 tiveram justamente o objetivo de apresentar aos gestores locais as medidas federais de preparação e resposta, além dos instrumentos disponíveis para uma atuação conjunta.
A orientação também passa pela informação. Em um cenário de eventos climáticos extremos e mudanças nas condições ambientais, o governo defende que a população tenha acesso a informações corretas, claras e baseadas na ciência para reduzir riscos e saber como agir diante de situações de emergência.



