Estudo sugere nova categoria de explosão solar até 10 vezes mais forte que a classe X e aponta risco de tempestades geomagnéticas extremas
Uma nova pesquisa científica está chamando atenção da comunidade internacional ao sugerir que o Sol pode produzir explosões muito mais intensas do que as previstas pela escala atual usada pelas agências espaciais.
O estudo propõe a criação de uma nova categoria chamada “classe S”, destinada a identificar supererupções solares acima da já conhecida classe X — atualmente considerada a mais poderosa da escala oficial.
Segundo os pesquisadores, esses eventos extremos poderiam provocar tempestades geomagnéticas capazes de afetar satélites, sistemas elétricos, comunicação via rádio e até missões espaciais.
Cientistas analisaram quase 96 mil explosões solares
A proposta foi publicada no Journal of Geophysical Research: Space Physics após a análise de 95.627 erupções solares registradas entre 1978 e 2025.
Os cientistas afirmam ter identificado 37 eventos tão intensos que ultrapassariam o limite tradicional da classe X, justificando a criação de uma nova classificação.
Hoje, as explosões solares são divididas nas categorias A, B, C, M e X, com aumento de potência em escala exponencial.
A própria NASA reconhece que a classe X não possui limite máximo definido. O maior evento já registrado oficialmente ocorreu em 2003 e foi estimado em X28, valor tão extremo que os sensores chegaram a saturar.
Agora, os pesquisadores querem usar a categoria S para identificar explosões acima de X10.
Explosão solar extrema poderia afetar tecnologia no planeta
Apesar do tom alarmante que o tema costuma gerar, especialistas reforçam que o principal risco não envolve destruição direta na superfície terrestre.
A atmosfera e o campo magnético da Terra continuam funcionando como escudo natural contra a radiação solar.
O problema estaria nos impactos tecnológicos. Erupções solares muito fortes podem interromper comunicações por rádio, prejudicar sinais de GPS, afetar internet e satélites, causar falhas em redes elétricas, aumentar riscos para astronautas e danificar equipamentos eletrônicos espaciais.
A Agência Espacial Europeia informou que uma poderosa flare solar observada em 2024 chegou a provocar erros de memória em missões espaciais como Mars Express e BepiColombo.
Sol já teria dado sinais de supererupções recentes
O estudo aponta que o próprio Sol apresentou sinais recentes de atividade acima da classe X tradicional.
Em maio de 2024, a sonda Solar Orbiter detectou no lado oculto do Sol uma explosão estimada em X12, considerada uma das mais fortes das últimas décadas.
Os pesquisadores também citam outros eventos acima de X10 registrados durante o atual Ciclo Solar 25.
Segundo os autores, isso indica que supererupções não seriam apenas hipóteses teóricas, mas fenômenos reais já observados pela ciência moderna.
Pesquisadores tentam prever períodos de maior risco
Outro ponto que chamou atenção no estudo é a tentativa de prever períodos mais favoráveis para essas explosões extremas.
Os cientistas afirmam ter identificado padrões de atividade solar ligados a ciclos magnéticos do Sol.
Com base nesses dados, o estudo apontou duas janelas de maior probabilidade para eventos severos entre o segundo semestre de 2025 e meados de 2026 e entre 2027 e 2028. Daqui em diante as previsóes em datas de alta probabilidade são 2026.6 e 2027.2–2027.9 no Ciclo 25, mas a força real da proposta dependerá de como o Sol vai se comportar nos próximos meses.
A ideia é permitir que agências espaciais e operadores de infraestrutura tenham mais tempo para planejamento preventivo.
Classe S ainda não é oficial
Apesar da repercussão, a chamada classe S ainda não foi adotada oficialmente pela NASA nem pela NOAA, agência norte-americana responsável pelo monitoramento climático e oceânico.
Por enquanto, trata-se de uma proposta científica em fase de discussão acadêmica.
Os próximos anos serão decisivos para verificar se o comportamento do Sol confirmará as previsões apresentadas pelos pesquisadores.
Se a teoria estiver correta, a humanidade poderá precisar se preparar para fenômenos solares muito mais extremos do que os atualmente considerados nos protocolos de segurança espacial e tecnológica.