Operação da Receita, PF e MPF contra fraude bilionária com “títulos podres” chega a Pouso Alegre

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Pouso Alegre está entre as cidades alvo – em cinco estados – de operação da PF, Receita e MPF contra esquema bilionário de fraude fiscal e lavagem de dinheiro
Confira na coletiva das autoridades que comandaram a operação a explicação completa

A cidade de Pouso Alegre entrou na mira de uma megaoperação deflagrada nesta quinta-feira, 7, pela Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal para desmontar um esquema bilionário de fraude tributária e lavagem de dinheiro envolvendo os chamados “títulos podres”.

Batizadas de Operação Títulos Podres e Operação Consulesa (Fase 2), as ações cumprem ao todo 79 mandados judiciais em 17 cidades de cinco estados brasileiros: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Maranhão.

Mais de 200 policiais federais e 43 auditores fiscais e analistas tributários da Receita Federal foram empenhados diretamente na execução de ambas as ações.  Segundo os órgãos envolvidos, o esquema utilizava créditos fiscais fraudulentos para compensação indevida de tributos federais, causando prejuízos estimados em cerca de R$ 770 milhões aos cofres públicos.

Em Minas Gerais, além de Belo Horizonte, Nova Lima, Contagem, Campo Belo e Itamarandiba, a operação também cumpriu mandados em Pouso Alegre.

As investigações apontam que a organização criminosa atuava por meio de escritórios de advocacia, consultorias tributárias e empresas de fachada, oferecendo supostas “soluções tributárias” para empresas e até prefeituras interessadas em reduzir ou quitar débitos fiscais.

De acordo com a Receita Federal, o grupo teria se sofisticado ao longo do tempo, passando a utilizar procurações eletrônicas, movimentações financeiras pulverizadas e contas de terceiros para ocultar recursos, caracterizando também lavagem de dinheiro.

A Operação Consulesa (Fase 2) cumpre 29 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. O prejuízo estimado nesta frente da investigação é de cerca de R$ 670 milhões.

Já a Operação Títulos Podres cumpre 40 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária em Minas Gerais  – Belo Horizonte, Nova Lima, Contagem, Campo Belo, Pouso Alegre e Itamarandiba – São Paulo, Espírito Santo e Maranhão. Pelo menos dez advogados estão entre os investigados. Nesta parte do esquema, o prejuízo estimado chega a R$ 100 milhões.

A Justiça Federal também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 32 milhões em bens e valores para tentar garantir o ressarcimento aos cofres públicos.

As autoridades informaram que as investigações continuam e que o material apreendido será analisado para identificar novos envolvidos e a dimensão total das fraudes.