IA, robôs e perfis falsos devem marcar campanhas eleitorais nas eleições deste ano

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Conteúdo gerado por IA e neurobots: ferramentas são oferecidas no mercado a candidatos nas eleições deste ano

As eleições municipais deste ano devem ter um forte avanço no uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) e automação digital nas campanhas políticas brasileiras. Além de recursos oficiais para produção de conteúdo e comunicação, cresce também um mercado clandestino que promete impulsionar candidatos — ou atacar adversários — por meio de estratégias consideradas irregulares pela Justiça Eleitoral.

A reportagem da TV Uai conversou com profissionais ligados ao marketing político digital e analisou plataformas que oferecem serviços automatizados para campanhas eleitorais.

Entre as práticas encontradas estão disparos em massa de mensagens no WhatsApp, compra de seguidores e comentários em redes sociais, criação automática de conteúdos com IA e até monitoramento digital de adversários para denúncias eleitorais.

“Militantes virtuais” e perfis fabricados

Um dos profissionais ouvidos pela reportagem, que atua em campanhas no Nordeste, relatou o uso de perfis falsos desenvolvidos com auxílio de inteligência artificial. Segundo ele, essas chamadas “personas digitais” são criadas para simular eleitores reais nas redes sociais.

Os perfis podem comentar publicações, defender candidatos, iniciar debates e até provocar críticas estratégicas para movimentar o engajamento online.

De acordo com o especialista, as contas são montadas a partir de características específicas do eleitorado, como faixa etária, localização, profissão e classe social. A intenção é fazer com que pareçam pessoas reais interagindo naturalmente nas plataformas.

A legislação eleitoral, no entanto, restringe o uso de conteúdos sintéticos e ferramentas automatizadas que simulem interação humana em campanhas políticas.

Compra de seguidores movimenta mercado paralelo

Sites brasileiros e no exterior vendem pacotes de seguidores cujo pagamento pode ser feito no Pix, cartão de crédito ou até criptomoedas

Outro setor que segue aquecido em períodos eleitorais é o da venda de seguidores e curtidas para redes sociais. Sites nacionais e internacionais oferecem pacotes pagos por Pix, cartão e até criptomoedas. Em alguns casos, mais de mil seguidores podem ser comprados por cerca de R$ 100.

Segundo operadores desse mercado, o uso de robôs tradicionais perdeu espaço devido às limitações impostas pelas plataformas e pelas operadoras de telefonia. Em vez disso, passaram a crescer sistemas de “troca de engajamento”, nos quais pessoas reais recebem recompensas para seguir, comentar e curtir publicações.

Especialistas alertam que esse tipo de prática pode prejudicar contas nas redes sociais caso as plataformas identifiquem atividade artificial.

Tecnologia amplia alcance das campanhas

Além do engajamento artificial, ferramentas de IA também já são utilizadas para produzir textos, imagens e vídeos em larga escala, permitindo que campanhas publiquem conteúdos simultaneamente em diversos perfis e plataformas.

Há ainda serviços voltados para coleta automatizada de dados públicos em redes sociais, prática que pode entrar em conflito com regras de privacidade e políticas das plataformas digitais.

O avanço dessas ferramentas preocupa especialistas em comunicação e autoridades eleitorais, que monitoram possíveis abusos e tentativas de manipulação digital durante o período de campanha.

Quando as coisas são disparadas pelo WhatsApp, entra num campo privado em que você não tem o controle de quem recebeu aquilo. Isso pode criar no candidato a percepção de que “todos estão falando” de um tema.

A avaliação é que o uso de comentários automatizados deve ser menos frequente em ataques a adversários e mais para inflar apoio ao próprio candidato. Elogios em massa podem criar uma “percepção de maioria” com menor risco jurídico do que ataques diretos.

Mas, segundo um dos especialistas, isso pode mostrar um falso sentido uma vez que a opinião pessoal de conhecimento do candidato ainda molda uma votação. E, como mostram as eleições de 2.024, o candidato depende da realidade que atinge os eleitores como simpatia, carisma, credibilidade, reputação e trabalho prestado de fato. “Andar nas costas de trabalhos prestados por outros – ou serviços prometidos e ainda não realizados – não atinge mais o eleitor padrão. Candidatos fabricados demais costumam gerar rejeição”, detalhou o especialista.

Plataforma sugere respostas a críticas feitas nas redes sociais por meio de IA (tela de testes)