Câncer de próstata: novos exames aumentam precisão na investigação da doença

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Novos exames e tecnologias ajudam a identificar áreas suspeitas, orientar biópsias e definir o tratamento do câncer de próstata com mais precisão

O câncer de próstata continua entre os principais problemas de saúde masculina no Brasil, mas a investigação da doença passou por importantes avanços nos últimos anos. Com exames mais precisos, os médicos conseguem avaliar melhor o risco, identificar alterações suspeitas e tomar decisões mais seguras sobre biópsias, acompanhamento e tratamento.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o período de 2026 a 2028 é de 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no Brasil. O tumor é o tipo de câncer mais frequente entre os homens brasileiros, quando são excluídos os tumores de pele não melanoma.

Apesar da evolução dos métodos diagnósticos, a descoberta da doença em fases iniciais continua sendo fundamental para aumentar as possibilidades de controle e cura.

Para o médico radiologista Danillo Milhomem, do Sabin Diagnóstico e Saúde, um dos obstáculos ainda está relacionado à resistência de parte dos homens em procurar atendimento médico. “Existe uma carga cultural muito forte em torno do câncer de próstata, sobretudo em relação ao exame físico urológico. Muitos homens chegam ao consultório apenas quando o problema já está avançado, porque deixaram de fazer uma avaliação por medo ou vergonha”, explica.

PSA e toque retal continuam sendo importantes

Quando o assunto é investigação do câncer de próstata, o PSA e o toque retal ainda são exames bastante conhecidos. O PSA é um exame de sangue que mede uma proteína produzida pela próstata, enquanto o toque permite ao médico avaliar características da glândula e identificar possíveis alterações.

No entanto, esses exames representam apenas uma etapa inicial da avaliação. “É importante diferenciar rastreamento de investigação. O PSA e o toque retal são o primeiro filtro. Quando há alguma alteração, entram ferramentas que ajudam a definir melhor o risco e a necessidade de outros procedimentos”, afirma o radiologista.

Entre as tecnologias que podem auxiliar nessa avaliação está o PHI (Prostate Health Index), método que combina diferentes marcadores para estimar a possibilidade de câncer de próstata. A ferramenta pode contribuir para a decisão médica sobre a necessidade ou não de uma biópsia.

Ressonância ajuda a localizar áreas suspeitas

Um dos principais avanços na investigação do câncer de próstata foi a incorporação da ressonância magnética da próstata. O exame produz imagens detalhadas da glândula e permite identificar regiões que apresentam características suspeitas.

As alterações encontradas podem ser classificadas por meio do sistema PI-RADS, que ajuda os médicos a estimar o grau de risco e definir os próximos passos da investigação. “A ressonância consegue mostrar onde estão as áreas suspeitas e permite uma abordagem mais direcionada, evitando procedimentos invasivos quando eles não são necessários”, explica Danillo Milhomem.

A tecnologia também pode ser utilizada no acompanhamento de pacientes que estão em vigilância ativa permitindo comparar os exames ao longo do tempo e verificar se houve mudanças nas áreas identificadas.

Tecnologia também auxilia na biópsia

Quando a biópsia é indicada, os exames de imagem podem ajudar a tornar o procedimento mais preciso. Uma das técnicas utilizadas é a ultrassonografia transretal, que permite ao médico acompanhar em tempo real o procedimento e orientar os locais onde serão retirados os pequenos fragmentos da próstata para análise.

“A imagem do ultrassom orienta, com maior precisão, os pontos de coleta dos pequenos fragmentos para análise, o que ajuda a preservar as estruturas vizinhas”, explica o especialista.

Dessa forma, a combinação entre diferentes métodos de imagem contribui para direcionar a investigação e fornecer informações mais detalhadas para a equipe médica.

PET-CT com PSMA amplia investigação

Outro recurso que ganhou espaço na avaliação do câncer de próstata é o PET-CT com PSMA. O exame utiliza um marcador direcionado ao Antígeno de Membrana Específico da Próstata (PSMA), permitindo localizar possíveis focos da doença no organismo.

Segundo Danillo Milhomem, a técnica representa um avanço especialmente importante em situações nas quais é necessário investigar a extensão do tumor. “Esse é um grande avanço porque consegue identificar áreas de doença que muitas vezes não aparecem em exames convencionais, trazendo informações importantes para a definição da conduta médica”, afirma.

O PET-CT com PSMA tem sido utilizado principalmente na investigação de metástases e de possíveis recidivas tumorais, ajudando a equipe médica a obter uma visão mais completa da doença.

Informação ainda é aliada da prevenção

Mesmo com a evolução dos exames, a tecnologia não substitui a necessidade de acompanhamento médico. Para o radiologista, ampliar o acesso à informação pode ajudar a reduzir o medo e aumentar a participação dos homens nos cuidados com a própria saúde.

“Quando o paciente entende como os exames funcionam, a ansiedade diminui e ele participa mais ativamente do cuidado com a própria saúde. A tecnologia evoluiu muito, mas ela só consegue ajudar quando o homem procura atendimento”, destaca.

A avaliação deve ser individualizada já que a indicação de exames, biópsia, acompanhamento ou tratamento depende da análise médica e das características de cada paciente.

Grupo Sabin

Com 42 anos de atuação, o Grupo Sabin nasceu em Brasília (DF), em 1984, a partir da iniciativa das empreendedoras Janete Vaz e Sandra Soares Costa. Atualmente, a empresa reúne cerca de 7.500 colaboradores e está presente em 14 estados e no Distrito Federal.

O grupo oferece serviços de saúde em 78 cidades com 366 unidades e atua em áreas como análises clínicas, diagnóstico por imagem, anatomia patológica, genômica, imunização e check-up executivo.

O ecossistema de saúde também inclui serviços de atenção primária, programas de cuidado coordenado por meio da Amparo Saúde e a plataforma digital Rita Saúde, que reúne parceiros como farmácias, médicos e outros profissionais.