Brasil negocia com a França a produção do helicóptero H145M em Itajubá, MG. Exército pode adquirir até 12 aeronaves e Helibras se fortalece como polo aeronáutico
A Helibras pode dar um salto histórico e repetir o caminho de sucesso da Embraer. Um acordo em negociação entre Brasil e França pode transformar a empresa, instalada em Itajubá (MG), em polo de produção e exportação dos helicópteros multimissão H145M para toda a América Latina.
A proposta envolve a compra de até 12 aeronaves pelo Exército Brasileiro, com possibilidade de adesão também pela Marinha e pela Força Aérea. Caso seja aprovado, o projeto marcará um dos maiores investimentos recentes na indústria de defesa do país e abre espaço para transferência de tecnologia e geração de empregos especializados.
A negociação é conduzida em modelo “Gov to Gov” (governo a governo) e vem sendo articulada pelo Ministério da Defesa e pelo governo francês.
Produção do H145M em Itajubá
Durante sessão da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, em 9 de setembro de 2025, o Exército confirmou a intenção de adquirir entre 10 e 12 helicópteros H145M. O plano foi apresentado pelo general Everton Pacheco da Silva, chefe do Escritório de Projetos do Exército.
O cronograma prevê:
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2 aeronaves em 2028
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4 em 2029
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4 em 2030
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2 em 2031
A execução, porém, depende de orçamento garantido pelo chamado “orçamento mínimo da Defesa”, criado para assegurar previsibilidade aos projetos estratégicos.
A Aviação do Exército afirma que, caso o acordo seja formalizado, a linha de montagem da Helibras será reativada para produção do H145M, com possibilidade de exportação para países da região.
Investimento bilionário e carta de intenções
Em julho de 2025, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério da Europa e dos Assuntos Exteriores da França assinaram uma carta de intenções para viabilizar a produção do H145 no Brasil. O valor estimado do projeto é de R$ 1 bilhão.
A previsão é fabricar até 200 helicópteros em 15 anos, para atender tanto a demanda interna quanto o mercado internacional.
O jornal francês La Tribune afirma que o anúncio oficial poderá ocorrer durante a COP30, que será realizada em Belém.
Além do Exército, outros órgãos do governo já demonstraram interesse em adquirir cerca de 10 aeronaves, incluindo os ministérios da Justiça, Meio Ambiente e Defesa.
Substituição dos Fennec e modernização das Forças Armadas
O H145M deve substituir os helicópteros HA-1A Fennec na Aviação do Exército. A aeronave é considerada multimissão e pode operar em combate, missões humanitárias, resgate aeromédico e transporte tático.
O projeto integra o Programa Estratégico do Exército – Aviação, que prevê padronização logística, interoperabilidade entre as Forças Armadas e modernização de infraestrutura e armamentos.
Principais características do H145M
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Peso máximo de 4 toneladas
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Capacidade para até 10 militares equipados
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Autonomia de até 4h20 com tanques externos
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Cockpit digital com aviônica Helionix
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Piloto automático de quatro eixos
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Operação com um ou dois pilotos
Na versão armada, adota o sistema HForce, compatível com:
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canhão de 20 mm
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metralhadoras .50
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foguetes guiados
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mísseis ar-solo e ar-ar
Os pilotos utilizam capacete com visor integrado que projeta informações de voo e mira, semelhante ao usado em caças modernos.
Efeito na indústria nacional de defesa
Com o término da produção das aeronaves H225M Super Cougar, a linha de montagem da Helibras opera em ritmo reduzido. A produção do H145M reativa a capacidade instalada, reemprega engenheiros e fornecedores e fortalece a cadeia produtiva do setor aeronáutico.
Especialistas em defesa destacam que o acordo também prevê aumento do índice de nacionalização e transferência de tecnologia — um marco para a indústria brasileira.
Caminho para um novo ciclo
A modernização da frota aérea avança em outras forças:
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A Força Aérea comprou helicópteros Black Hawk dos EUA, que serão modernizados.
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Novos H125 foram adquiridos para treinamento de pilotos.
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A Marinha estuda retomar o projeto de helicópteros leves, no qual o H145 já foi avaliado.
Se aprovado, o acordo Brasil–França coloca a Helibras em uma nova rota de expansão, semelhante ao que ocorreu com a Embraer décadas atrás.



