Iniciativa MagBras reúne 38 empresas e instituições para consolidar cadeia nacional de produção com foco em energia limpa, mobilidade elétrica e defesa
O Brasil deu início a um ambicioso projeto para fortalecer sua autonomia tecnológica e industrial. No último dia 14 foi oficialmente lançado o MagBras – Da Mina ao Ímã, iniciativa que visa estruturar toda a cadeia produtiva de ímãs permanentes à base de terras raras no país. Com investimento de R$ 73 milhões, o projeto reúne 38 empresas, startups, instituições de pesquisa e universidades, configurando uma aliança inédita em torno de uma tecnologia estratégica para setores como energia limpa, mobilidade elétrica e defesa.
O MagBras é liderado pelo Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI) e coordenado pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC). A proposta foi aprovada no edital do Programa Mover, operado pelo SENAI Nacional e pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP).
Inovação e soberania
Durante o evento de lançamento, realizado com a presença de 28 das entidades envolvidas, o pesquisador-chefe do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas de Manufatura e Laser, Luís Gonzaga Trabasso, destacou o papel estratégico da produção nacional. “A produção de ímãs de terras raras no Brasil é essencial para a transição energética e para a soberania tecnológica do país”, afirmou.
Um dos marcos do projeto é a integração do LabFabITR, primeiro laboratório-fábrica do hemisfério sul para ímãs e ligas de terras raras, localizado em Lagoa Santa (MG). A estrutura foi adquirida pelo CIT SENAI em dezembro de 2023 e será integrada a áreas especializadas como química, metalurgia, processamento mineral e meio ambiente.
Aliança industrial estratégica
O projeto conta com nomes de peso da indústria, como Vale, WEG, ArcelorMittal, Iveco, Tupy, Stellantis, ZEN, MOSAIC, entre outras. Também participam instituições científicas como UFSC, IPT, CETEM e os Institutos SENAI de Inovação nas áreas de laser, manufatura, processamento mineral e materiais avançados. As fundações FIPT, FACC e FEESC também fazem parte da estrutura de apoio.
Para o superintendente de Inovação e Tecnologia do SENAI Nacional, Roberto de Medeiros Júnior, o MagBras representa um novo modelo de cooperação. “este projeto nasceu de uma necessidade real do país e só se tornou possível graças ao engajamento de diversos atores que acreditaram em um propósito comum”, destacou.
Integração entre academia e indústria
A conexão entre universidades e setor produtivo também foi um dos pontos ressaltados por representantes das instituições. Jacques Mick, pró-reitor da UFSC, celebrou a oportunidade: “é uma honra integrar uma aliança que coloca a ciência a serviço do desenvolvimento social e tecnológico do país.”
Sandra Lúcia de Moraes, diretora técnica do IPT, também destacou o protagonismo nacional: “transformar conhecimento em tecnologia genuinamente brasileira é essencial para o desenvolvimento sustentável.”
Minas Gerais como protagonista
Minas Gerais assume posição central no projeto com a estrutura do CIT SENAI instalada no estado, além da atuação dos institutos voltados a Processamento Mineral e Terras Raras. Para o coordenador do CIT SENAI ITR, André Pimenta, o alinhamento estratégico inicial entre empresas e centros de pesquisa é o que garante a sinergia e efetividade da cadeia integrada — da mineração à fabricação dos ímãs.
Encerrando as falas institucionais, Ailton Ricaldoni, do Conselho Executivo FIEMG SENAI-MG, relembrou sua trajetória na indústria e destacou o momento como divisor de águas: “o MagBras representa a transformação do Brasil de exportador de matéria-prima em produtor de alto valor agregado. É o primeiro passo de uma revolução industrial.”



