Brasil inicia estratégia nacional para terras raras em meio a interesse geopolítico e potencial em Poços de Caldas

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Ministro Alexandre Silveira durante abertura do Seminário sobre Mineração e Transformação Mineral e Minerais Estratégicos para a Transição Energética (Foto: Ricardo Botelho/MME)
Ministério de Minas e Energia inicia estudos para estruturar política nacional de terras raras; Poços de Caldas está entre as áreas estratégicas

O Ministério de Minas e Energia (MME) deu início aos estudos técnicos que vão embasar a criação da Estratégia Nacional de Terras Raras, política que pretende organizar o desenvolvimento de um dos segmentos mais estratégicos da mineração brasileira. O tema ganha relevância especial para regiões como Poços de Caldas, no Sul de Minas, onde há histórico e potencial geológico associado a esses minerais.

A reunião que marcou o início dos trabalhos foi realizada na terça-feira, 21, definiu metas, metodologia e diretrizes do projeto, que busca alinhar a exploração e o processamento das terras raras às políticas industrial, ambiental, de inovação e de transição energética do país.

Segundo o MME, a proposta é ir além da extração primária e avançar na transformação mineral, agregando valor à produção dentro do território nacional. A secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt, destacou que a estratégia é fundamental para converter o potencial geológico brasileiro em desenvolvimento econômico, tecnológico e industrial, fortalecendo a soberania do país sobre recursos considerados críticos.

O estudo deve fornecer subsídios técnicos para decisões do governo federal, com foco na atração de investimentos, no fortalecimento da indústria nacional e na redução da dependência externa em cadeias globais de suprimento. Também estão previstos diagnósticos sobre oportunidades ao longo da cadeia de valor, além de recomendações em sustentabilidade, governança e mecanismos de monitoramento.

O Brasil possui cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, ficando atrás apenas da China, que concentra quase metade do total global. Esses minerais são essenciais para setores como mobilidade elétrica, defesa, eletrônica avançada e tecnologias ligadas à transição energética, o que explica a crescente disputa geopolítica em torno do tema.

Nos últimos anos, o interesse por minerais críticos se intensificou no país. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) indicam que as autorizações para pesquisa em terras raras saltaram de 40, em 2015, para mais de 1.300 em 2024. Paralelamente, iniciativas de financiamento vêm sendo estruturadas, como a seleção de projetos pelo BNDES e pela Finep voltados à transformação mineral e à industrialização.

O debate também avança no Congresso Nacional, com projetos que propõem a criação de uma política específica para minerais críticos e estratégicos, além da instalação de frentes parlamentares dedicadas ao tema.

No cenário internacional, o Brasil passou a ser visto como peça-chave na diversificação global de suprimentos. A União Europeia, os Estados Unidos e países do Oriente Médio já sinalizaram interesse em parcerias e investimentos conjuntos, reforçando o peso geopolítico das terras raras no contexto da reorganização das cadeias globais.

Para regiões como Poços de Caldas e seu entorno, onde a mineração faz parte da história econômica, iniciativas como essa ganham relevância na consolidação de uma estratégia nacional, uma vez que pode representar novas oportunidades de desenvolvimento, desde que associadas a critérios ambientais, tecnológicos e sociais.