A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira, 26, o registro da Ozivy, primeira caneta para emagrecimento produzida no Brasil com semaglutida, substância usada no Ozempic. Com a autorização, o medicamento poderá ser comercializado no país nos próximos meses.
A fabricante EMS informou que a previsão é colocar o produto no mercado entre julho e agosto. A produção será realizada em Hortolândia, no interior de São Paulo.
Apesar da aprovação, o preço oficial da Ozivy ainda não foi divulgado. A expectativa do mercado é que o valor fique abaixo das versões importadas, mas sem grandes diferenças neste primeiro momento. Estudos do setor farmacêutico apontam que a redução inicial pode girar em torno de 20% a 30%.
Hoje, o Ozempic é encontrado nas farmácias por cerca de R$ 1.300, embora promoções possam reduzir esse valor temporariamente. Com isso, a nova caneta brasileira poderia chegar ao consumidor custando pouco mais de R$ 1 mil.
A Ozivy será classificada como medicamento similar e não genérico. Isso significa que ela possui marca própria e embalagem personalizada, apesar de utilizar o mesmo princípio ativo do medicamento original.
Especialistas avaliam que a chegada da concorrência nacional poderá pressionar os preços das canetas emagrecedoras no Brasil. Em resposta, fabricantes estrangeiras também podem ampliar descontos para manter participação no mercado.
Produção nacional enfrenta desafios
A fabricação de medicamentos injetáveis exige estrutura industrial avançada e altos investimentos. Segundo a EMS, mais de R$ 1,2 bilhão foram aplicados na construção da fábrica responsável pela produção da Ozivy.
Além do controle rigoroso de esterilidade, as canetas precisam passar por testes de transporte e armazenamento refrigerado para garantir a qualidade do produto.
Outros laboratórios brasileiros também estudam lançar medicamentos à base de semaglutida, mas a Anvisa deverá liberar as autorizações gradualmente até 2027.
O que é a semaglutida?
A semaglutida é indicada para tratamento do diabetes tipo 2 e também ganhou destaque pelo efeito no emagrecimento. O medicamento pode levar à redução de até 15% do peso corporal em alguns pacientes.
Atualmente, ela é considerada uma segunda geração das chamadas “canetas emagrecedoras”. Medicamentos mais recentes, como os à base de tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — já apresentam resultados ainda maiores na perda de peso.
Antes da semaglutida, a liraglutida era a principal substância utilizada nesse tipo de tratamento. No Brasil, ela já possui versões nacionais mais acessíveis.





