Terras-raras entram na disputa global e colocam o Sul de Minas no mapa. Projeto na região é apresentado em vídeo

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Por que as terras-raras viraram disputa global — e o que o Sul de Minas tem a ver com isso?
Imagens mostram bastidores do projeto de terras-raras no Sul de Minas
O vídeo institucional divulgado pela Cabo Verde Mineração apresenta imagens das áreas de pesquisa, das sondagens em andamento e da dimensão do projeto de terras-raras desenvolvido no Complexo de Poços de Caldas. O material ajuda a visualizar um setor estratégico
que, normalmente, opera longe do olhar do público e reforça por que a região passou a integrar o radar da corrida global por minerais essenciais à tecnologia e à transição energética.

As chamadas terras-raras passaram a ocupar um lugar central nas disputas econômicas e tecnológicas do mundo. Essenciais para a produção de celulares, carros elétricos, turbinas eólicas, baterias, equipamentos médicos e tecnologias de defesa, esses minerais se tornaram estratégicos para países que buscam reduzir a dependência de poucos fornecedores globais.

Hoje, a produção mundial de terras-raras está fortemente concentrada, especialmente na China, o que levou governos e grandes empresas da Europa, América do Norte e Ásia a procurar novas áreas de exploração. Esse movimento global explica por que regiões fora do eixo tradicional da mineração passaram a ganhar destaque — entre elas, o Sul de Minas.

O Sul de Minas entra no mapa

O Complexo Alcalino de Poços de Caldas é considerado uma das áreas mais promissoras do Brasil para a ocorrência de terras-raras em argilas iônicas, modelo semelhante ao explorado em projetos internacionais. Estudos geológicos indicam grande potencial mineral, o que vem atraindo a atenção de empresas e investidores.

Nesse contexto, a Cabo Verde Mineração anunciou que pretende investir cerca de US$ 10 milhões nos próximos dois anos em seu projeto de terras-raras na região. O valor será destinado à conclusão da fase de pesquisa mineral e à implantação de uma planta-piloto de processamento, etapa fundamental para avaliar a viabilidade técnica e econômica do empreendimento.

Durante o avanço das pesquisas no Sul de Minas, a Cabo Verde identificou um novo alvo de terras-raras, batizado de Alvo Botelhos, no município de mesmo nome. A empresa já iniciou sondagens por trado mecânico para confirmar o potencial mineral da área.

Além de Botelhos, a mineradora mantém outros três alvos principais na região: Caconde, onde já há perfurações em andamento, Campestre e Cabo Verde/Muzambinho, que ainda aguardam início das sondagens. O conjunto das áreas pode ultrapassar 500 milhões de toneladas de argilas iônicas mineralizadas com terras-raras. Somente em Caconde, considerado o menor dos alvos, a estimativa preliminar já aponta cerca de 100 milhões de toneladas.

A empresa, que já investiu aproximadamente R$ 7 milhões em pesquisas desde o fim de 2023, também negocia a entrada de investidores internacionais, com tratativas envolvendo grupos da Ásia, União Europeia e Canadá. O primeiro acordo pode ser fechado ainda nos próximos meses, revelou o CEO da mineradora, Túlio Rivadávia Amaral.

Paralelamente às terras-raras, a Cabo Verde retomou em janeiro a produção de minério de ferro na mina Catumbi, entre os municípios de Cabo Verde e Muzambinho. A operação havia sido interrompida para a realização das pesquisas minerais. A produção de minério de ferro lump e sinter feed, com teor de ferro entre 64% e 66% e ajuda a financiar os projetos.

Por que isso importa para a região

Embora o projeto ainda esteja em fase inicial, a exploração de terras-raras pode representar, no médio e longo prazo, novos investimentos, empregos qualificados e aumento de arrecadação para os municípios do Sul de Minas envolvidos na área de influência do Complexo de Poços de Caldas.

Especialistas destacam, no entanto, que esse tipo de mineração exige planejamento, tecnologia e rigor ambiental. Por isso, etapas como estudos de viabilidade, licenciamento e testes industriais são decisivas antes de qualquer produção em larga escala.

Enquanto o mundo disputa o controle desses minerais estratégicos, o Sul de Minas passa a integrar um debate global, onde economia, tecnologia e geopolítica se encontram — e que tende a ganhar cada vez mais espaço nos próximos anos.