Nova fábrica bilionária da Biolab em Pouso Alegre amplia produção e sustenta meta de R$ 5 bilhões até 2027

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Depois de quase uma década entre anúncio, revisões de projeto e ampliação de investimentos, a farmacêutica Biolab concluiu a implantação de sua nova e principal unidade industrial em Pouso Alegre. Já em funcionamento consolidando o município como um dos polos estratégicos da indústria farmacêutica nacional

Com cerca de 80 mil metros quadrados de área construída, o parque fabril terá capacidade para produzir mais de 200 milhões de unidades de medicamentos por ano — volume que mais do que dobra a produção atual da companhia. O investimento total supera R$ 1 bilhão.

Segundo o CEO Fábio Amorosino, a planta foi projetada para sustentar o crescimento da empresa nas próximas décadas. Inicialmente, a operação deve funcionar com um turno, mas há possibilidade de expansão para até três, ampliando ainda mais a capacidade produtiva.

Projeto atravessou pandemia e alta nos custos

Quando foi anunciado, em 2017, o empreendimento previa aporte de R$ 500 milhões e conclusão em quatro anos. No entanto, a pandemia da Covid-19, a inflação acumulada no setor da construção e a alta nos preços de equipamentos impactaram o cronograma e o orçamento. Em 2023, a empresa decidiu dobrar o investimento para garantir a finalização da obra dentro dos padrões técnicos exigidos.

Além de cumprir as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a nova fábrica também foi adaptada para atender critérios internacionais da Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, e da European Medicines Agency (EMA) abrindo caminho para ampliar exportações.

Com a nova fábrica de Pouso Alegre, a maior da história da Biolab, fortalece a capacidade produtiva, expande o alcance da atuação da empresa e incorpora tecnologias ainda mais avançadas, tudo para consolidar a presença da Biolab no Brasil e no mundo.

Atualmente, mesmo já em produção, a unidade passa por fase final de ajustes técnicos e montagem de estruturas de inovação complementares.

Crescimento acelerado e novas parcerias

A entrega da fábrica é considerada peça-chave no plano de expansão da Biolab, que pretende alcançar faturamento de R$ 5 bilhões até 2027. Hoje, a receita anual gira em torno de R$ 3,2 bilhões.

Para atingir a meta, a companhia aposta em dois pilares: lançamento de medicamentos inovadores — especialmente na área de cardiologia, que representa mais da metade do negócio — e fortalecimento de parcerias com farmacêuticas estrangeiras.

A empresa mantém atualmente 35 acordos internacionais ativos e conta com uma força de vendas robusta, composta por cerca de 1,8 mil representantes que realizam aproximadamente 320 mil visitas médicas por mês. Essa estrutura sustenta a estratégia de representar produtos desenvolvidos no exterior no mercado brasileiro.

Entre os acordos recentes está o firmado com a britânica George Medicines para comercialização do medicamento Widaplik, voltado ao tratamento da hipertensão. O produto já recebeu aprovação do FDA e aguarda aval da Anvisa para chegar ao Brasil. A Biolab também mantém parceria com a alemã Bayer para comercialização do contraceptivo Qlaira e distribui, desde 2022, o medicamento Repatha, da americana Amgen.

Expansão em genéricos e mercado competitivo

Tradicionalmente forte em medicamentos cardiovasculares, a companhia também amplia sua atuação no segmento de genéricos que já responde por cerca de 20% do faturamento. A estratégia busca compensar a perda de exclusividade de patentes e manter competitividade em um mercado cada vez mais disputado.

Cleiton de Castro Marques e Paulo de Castro Marques, fundadores da empresa em 1997, fazem parte de uma das famílias mais tradicionais do setor farmacêutico brasileiro. Sob nova estrutura de governança, com conselho de administração reforçado e liderança profissionalizada desde 2024, a Biolab também admite que, no futuro, poderá avaliar uma abertura de capital, caso o mercado apresente condições favoráveis.

Com a chegada de Fabio Amorosino, CEO da Biolab na liderança desde outubro de 2024, os fundadores da Biolab decidiram avançar na governança da companhia com a implementação de um conselho com profissionais de mercado e com a entrada do primeiro CEO sem o sobrenome Marques. Amorosino, que foi CEO do banco Alfa por 16 anos já ocupava há três anos, um assento no conselho de administração. Hoje, além de presidente, ele também lidera o conselho.

Com sete cadeiras, o colegiado conta com Cássio Casseb (ex-presidente do Banco do Brasil e do GPA), Paulo Gandolfi (CEO da 3M Brasil) e João Bezerra Leite (ex-CTO do Itaú). Os quatro executivos se somam aos irmãos Marques e a Dante Alário Júnior, outro sócio – fundador da empresa.

Pouso Alegre no centro da expansão

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Pouso Alegre, José Carlos Costa, “com a consolidação da nova unidade, Pouso Alegre reforça sua posição como polo industrial do Sul de Minas. A chegada definitiva da planta bilionária não apenas amplia a capacidade produtiva da empresa, como também fortalece a geração de empregos e a relevância econômica do município no cenário nacional da indústria farmacêutica”.

Vídeo e foto: Instagram Biolab