A um mês do início da Copa do Mundo, o maior evento esportivo do planeta já começa a movimentar a rotina dos brasileiros. Bandeiras nas ruas, reuniões em família, conversas sobre futebol e expectativa pelos jogos fazem parte de um cenário que atravessa gerações e vai além do esporte. Para especialistas em educação, esse interesse coletivo também pode se tornar uma poderosa ferramenta pedagógica dentro das escolas.
Neste ano, a competição será realizada em Canadá, Estados Unidos e México, reunindo milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo educadores, o torneio cria oportunidades para trabalhar temas como cultura, geografia, matemática, história, idiomas, educação socioemocional e hábitos saudáveis de forma mais dinâmica e conectada ao cotidiano dos alunos.
Copa vai além do futebol
No Brasil, a Copa do Mundo é vista como um fenômeno cultural capaz de despertar emoções, fortalecer vínculos familiares e criar memórias afetivas. Para a professora de educação física Andrea De Luca, da Escola Bilíngue Aubrick, em São Paulo, o evento ajuda crianças e adolescentes a desenvolverem senso de pertencimento e identidade cultural.
“Essa mobilização coletiva desperta um forte senso de pertencimento, identidade nacional e celebração. Muitas vezes, é nesse contexto que surgem as primeiras lembranças relacionadas ao esporte, à torcida e ao sentimento de coletividade”, afirma.
A docente destaca ainda que o ambiente escolar pode aproveitar esse entusiasmo para estimular atividades coletivas e fortalecer laços entre alunos, professores e famílias.
Esporte contribui para o desenvolvimento infantil
Além da questão cultural, especialistas ressaltam que a Copa do Mundo também serve para reforçar a importância da prática esportiva no desenvolvimento físico, emocional e social das crianças.
De acordo com Rodrigo Marçura, coordenador de esportes do colégio Progresso Bilíngue, em Campinas (SP), o esporte ajuda no desenvolvimento de habilidades fundamentais para a convivência e para a vida em sociedade.
“Ao participar de atividades esportivas, os alunos desenvolvem disciplina, cooperação, resiliência, foco, senso de responsabilidade e respeito às regras”, explica.
Segundo ele, o futebol pode funcionar como porta de entrada para despertar o interesse das crianças por atividades físicas e hábitos mais saudáveis, especialmente em uma rotina marcada pelo excesso de telas e pelo sedentarismo.
Entre as atividades que podem ser promovidas nas escolas estão gincanas, jogos cooperativos, circuitos motores e brincadeiras temáticas inspiradas na competição.
Copa pode ser trabalhada na educação infantil
Na educação infantil, o tema também pode ser explorado de forma lúdica e educativa. Bandeiras, mascotes, músicas, uniformes e mapas ajudam a despertar o interesse das crianças por diferentes culturas e tradições.
A psicopedagoga Jacqueline Cappellano, coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville, em Barueri (SP), afirma que o torneio oferece possibilidades importantes para o desenvolvimento cognitivo e social.
“Na primeira infância, o aprendizado acontece muito pela brincadeira. A Copa oferece elementos visuais, culturais e afetivos que despertam o interesse e ajudam a desenvolver linguagem, criatividade, movimento e interação social”, destaca.
Entre as atividades sugeridas estão pintura de bandeiras, rodas de conversa, músicas, contação de histórias e jogos simbólicos relacionados aos países participantes.
Tema favorece aprendizagem interdisciplinar
Educadores também apontam que a Copa do Mundo permite integrar diferentes disciplinas de maneira prática e contextualizada, tornando o aprendizado mais significativo.
Para Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do Brazilian International School (BIS), em São Paulo, o interesse natural dos estudantes pelo torneio contribui para aumentar o engajamento nas atividades escolares.
“A Copa do Mundo conecta conteúdos curriculares a algo presente no cotidiano dos alunos. Quando o conteúdo faz sentido para a criança, o engajamento e a assimilação tendem a ser maiores”, afirma.
Segundo ele, o evento pode ser utilizado em diversas áreas do conhecimento:
- Geografia: estudo dos países participantes, culturas, idiomas e territórios;
- Matemática: gráficos, tabelas, estatísticas e probabilidades;
- História: análise de edições anteriores e contextos históricos;
- Língua Portuguesa: produção textual, interpretação e debates.
Além disso, a competição abre espaço para discussões sobre diversidade cultural, respeito às diferenças, inclusão e combate à xenofobia.
“A escola tem papel importante em estimular o diálogo, a escuta e a compreensão de que as diferenças culturais representam riqueza, e não motivo de discriminação”, ressalta Dias.
Evento pode aproximar famílias e escolas
Especialistas destacam ainda que grandes eventos esportivos ajudam a aproximar famílias, estudantes e educadores criando experiências compartilhadas que fortalecem o ambiente escolar.
Para os profissionais da área, aproveitar temas presentes no cotidiano dos alunos torna o ensino mais atrativo e contribui para transformar o aprendizado em uma experiência mais participativa e significativa.
Sobre a ISP
A International Schools Partnership é uma organização internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92 mil estudantes ao redor do mundo. O grupo atua no desenvolvimento de projetos educacionais voltados à formação acadêmica, social e emocional de crianças e adolescentes.