Brasil amplia participação em pesquisas da “partícula de Deus” com parceria entre CNPEM e CERN

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Brasil amplia sua participação nas pesquisas sobre bóson de Higgs, popularmente chamado de “partícula de Deus”, em parceria com o CERN. Cooperação fortalece a ciência, a indústria de alta tecnologia e a formação de pesquisadores

A colaboração entre o Brasil e o CERN, maior centro de pesquisas em física de partículas do mundo, começa a apresentar resultados concretos para a ciência e a indústria nacional. A parceria, que conta com a atuação do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), tem ampliado a participação de empresas brasileiras em projetos internacionais de alta tecnologia e criado novas oportunidades para pesquisadores, estudantes e engenheiros.

Os primeiros avanços da cooperação foram apresentados durante uma reunião realizada em Campinas (SP), reunindo representantes do CNPEM, do CERN e de órgãos do governo federal. Desde que o Brasil passou a integrar o laboratório europeu como Estado-Membro Associado, em 2024, empresas nacionais ganharam acesso a licitações internacionais, enquanto profissionais brasileiros passaram a contar com mais oportunidades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e capacitação.

O CNPEM, responsável pela construção e operação do Sirius, uma das mais modernas fontes de luz síncrotron do planeta, desempenha papel estratégico nessa aproximação ao conectar universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo brasileiro ao ecossistema científico do CERN, laboratório que abriga o Grande Colisor de Hádrons (LHC), conhecido mundialmente pelas pesquisas que levaram à descoberta do bóson de Higgs.

Empresas brasileiras conquistam espaço

Os primeiros resultados da parceria já demonstram o potencial competitivo da indústria nacional. Até julho de 2026, empresas brasileiras conquistaram dois contratos junto ao CERN e apresentaram seis propostas consideradas tecnicamente aptas, sem qualquer desclassificação por critérios tecnológicos.

Entre os contratos firmados estão a modernização de motores elétricos pela WEG e o fornecimento da estrutura mecânica do ímã BOND pela FCA Brasil. Outra empresa brasileira, a ROMI, também figurou entre as melhores classificadas em uma concorrência internacional para fornecimento de máquinas CNC.

Apesar do bom desempenho, o levantamento aponta que ainda existe espaço para ampliar a participação brasileira. Desde 2024, o CERN enviou 134 consultas de interesse a empresas nacionais, mas apenas 14 despertaram interesse dos fornecedores, indicando um potencial ainda pouco explorado.

Para aproximar a indústria dessas oportunidades, foi criada a plataforma Brazilian Industry Supporting Science (BISS), que reúne empresas aptas a fornecer produtos e serviços para grandes projetos científicos internacionais.

Formação de profissionais cresce

A parceria também tem impulsionado a qualificação de profissionais brasileiros. Atualmente, 255 brasileiros atuam no CERN como pesquisadores, estudantes, estagiários ou funcionários.

O interesse pelos programas de formação também vem aumentando. Em 2025, brasileiros apresentaram 1.780 candidaturas às diferentes modalidades oferecidas pelo laboratório. Em 2026, mesmo antes do encerramento do ano, já foram registradas 1.625 inscrições.

O número de profissionais selecionados também avançou. Em 2025, 30 brasileiros ingressaram em programas do CERN triplicando o resultado registrado no ano anterior. Além disso, candidatos brasileiros vêm obtendo índices de aprovação superiores à média dos demais países associados ao laboratório.

Embora seja reconhecido pelas pesquisas em física de partículas, o CERN oferece oportunidades para especialistas de diversas áreas, incluindo engenharia, computação, robótica, ciência dos materiais, tecnologia do vácuo, radiofrequência, administração, direito, finanças e comunicação.

Cooperação de longo prazo

Além da participação em pesquisas científicas, a parceria entre o Brasil e o CERN abre caminho para projetos voltados ao desenvolvimento de tecnologias estratégicas, como cabos supercondutores, novos ímãs para futuros aceleradores de partículas, materiais avançados e apoio a experimentos internacionais.

Programas de intercâmbio e capacitação, como o ORIGIN e o Mobilidade Internacional SENAI-CERN, também reforçam a preparação de técnicos e engenheiros brasileiros para atuar em algumas das mais sofisticadas infraestruturas científicas do mundo.

Para o CNPEM, a colaboração representa mais um passo na consolidação da presença brasileira em projetos científicos internacionais e na aproximação entre pesquisa de ponta, inovação tecnológica e desenvolvimento industrial.