
Brasil e China deram mais um passo no desenvolvimento do CBERS 5, o primeiro satélite geoestacionário do Programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres). Especialistas dos dois países trabalham na definição dos aspectos técnicos da missão, que promete ampliar a capacidade brasileira de monitoramento ambiental e meteorológico em tempo real.
Diferentemente dos satélites de observação da Terra já desenvolvidos pela cooperação entre Brasil e China, o CBERS 5 será capaz de acompanhar continuamente todo o território nacional, fornecendo informações estratégicas para aplicações meteorológicas, ambientais e de gestão de desastres naturais.
Plataforma será desenvolvida pelo Brasil
As equipes técnicas apresentaram duas propostas de serviços que servirão de base para a construção da Plataforma Multi-Missão Geoestacionária (GeoMMP), tecnologia que terá sua primeira aplicação no CBERS 5.
Pelo acordo firmado entre os dois países, o Brasil ficará responsável pelo desenvolvimento da plataforma do satélite, enquanto a China desenvolverá a carga útil destinada às observações meteorológicas e ambientais.
Segundo o coordenador-geral de Engenharia, Tecnologia e Ciência Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Adenilson Roberto da Silva, o projeto representa um avanço importante para o setor espacial brasileiro. “O CBERS 5 permitirá ao Brasil migrar da área de domínio de satélites de baixa órbita para a de satélites geoestacionários, o que significa aumentar as capacidades tecnológicas e estratégicas do País no setor espacial”, destaca.
Ainda de acordo com o pesquisador, uma das alternativas em estudo é utilizar plataformas chinesas já consolidadas em órbita, combinando essa experiência com processos de transferência de tecnologia para fortalecer a indústria espacial brasileira.
Três décadas de cooperação
A parceria entre Brasil e China no Programa CBERS completa cerca de 30 anos e já resultou no desenvolvimento, lançamento e operação de seis satélites.
Atualmente, os dois países mantêm em andamento os projetos CBERS 5 e CBERS 6, que se encontram em diferentes fases de desenvolvimento e fazem parte da estratégia de fortalecimento da infraestrutura espacial dos dois países.
Monitoramento contínuo do território brasileiro
O acordo para a construção do CBERS 5 foi assinado em junho de 2024 e prevê o lançamento do satélite até 2030.
Quando entrar em operação, o equipamento será capaz de fornecer imagens e dados meteorológicos continuamente sobre todo o território nacional, ampliando a capacidade de monitoramento de eventos climáticos extremos.
Entre as aplicações previstas estão o acompanhamento de tempestades, secas, enchentes, queimadas e outras ocorrências ambientais, além de fornecer informações que poderão contribuir para ações de prevenção, resposta a desastres e adaptação às mudanças climáticas.
A nova missão também representa um avanço estratégico para o Brasil, que passará a dominar tecnologias relacionadas aos satélites geoestacionários, ampliando sua autonomia no setor espacial e fortalecendo a cooperação científica com a China.



