Airbus Helicopters projeta expansão do H145 e sinaliza futuro na Helibrás em Itajubá

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Airbus aponta crescimento do H145 e possibilidade de produção em Itajubá após fim do programa HX-BR
Vice Presidente Internacional de Airbus, Wouter van Wersch, durante o press meeting. (Foto Roberto Caiafa)

Durante a abertura da FIDAE 2026, uma das principais feiras aeroespaciais da América Latina, a Airbus apresentou seu portfólio e discutiu perspectivas estratégicas para a região. O evento contou com a participação de executivos globais e regionais da companhia, que abordaram os impactos das mudanças geopolíticas e o crescimento do setor no continente.

Entre os destaques, representantes da empresa ressaltaram a relevância da atuação da Airbus na América Latina ao longo das últimas décadas, com contribuições significativas para o desenvolvimento da indústria aeroespacial, tanto na aviação de asas fixas quanto rotativas e no segmento de defesa.

Também foi celebrado o marco de 25 anos de presença da empresa no Chile, reforçando a consolidação da Airbus na América do Sul.

C-295 ganha protagonismo em operações estratégicas

Víctor De La Vela, Vicepresidente de Airbus Defence and Space para América Latina. (Foto Roberto Caiafa)

Um dos pontos centrais da apresentação foi o desempenho do avião de transporte C-295, considerado hoje uma das principais aeronaves de médio porte em operação na América Latina. Atualmente, 41 unidades estão em serviço em seis países.

No Brasil, a Força Aérea Brasileira opera 15 aeronaves do modelo, conhecidas como C-105/SC-105 Amazonas. O equipamento tem se destacado pela versatilidade em missões que vão desde transporte logístico até ações humanitárias, proteção ambiental e operações de busca e salvamento.

Em março de 2026, uma dessas aeronaves realizou um feito inédito: o primeiro lançamento aéreo de carga na Antártica, entregando 1.200 kg de suprimentos à Estação Comandante Ferraz, dentro do programa PROANTAR. A operação demonstrou a capacidade do modelo em atuar em condições extremas.

Helicópteros e crescimento do setor aeromédico

No segmento de asas rotativas, a Airbus destacou sua estrutura consolidada na América Latina, com centros de manutenção e suporte distribuídos em diversos países, atendendo centenas de operadores e uma frota significativa de helicópteros.

A empresa também enfatizou a flexibilidade de suas aeronaves, que podem ser rapidamente adaptadas para missões civis ou militares, além da utilização de tecnologias como o sistema H-Force, que permite transformar helicópteros utilitários em plataformas armadas.

Outro ponto relevante foi o crescimento dos serviços aeromédicos e de resgate na região, que vêm demandando aeronaves mais modernas e confiáveis.

H145 pode ser chave para Itajubá

Alberto Duek, Vicepresidente de Airbus Helicopters para América Latina. (Foto Roberto Caiafa)

O helicóptero H145 surgiu como protagonista nas discussões sobre o futuro da produção no Brasil. Com mais de 200 unidades já em operação na América Latina, o modelo apresenta forte demanda e potencial de expansão.

Segundo a Airbus, a produção do H145 em território brasileiro poderia atender não apenas o mercado interno, mas também exportações, reduzindo prazos de entrega e ampliando a competitividade.

A expectativa ganha ainda mais relevância diante do encerramento do programa HX-BR, que prevê a entrega das últimas unidades do H-225M até o fim de 2026. A definição do próximo projeto será determinante para a continuidade das atividades industriais na Helibrás em Itajubá, no Sul de Minas.

Executivos da empresa indicaram que o H145 surge como uma alternativa viável, inclusive para uso por forças armadas e operações parapúblicas, podendo impulsionar novos investimentos e manter a cadeia produtiva ativa na região.

Sobre a Helibras

A Helibras é a única fabricante de helicópteros a turbina do Hemisfério Sul e líder de mercado no Brasil. Com mais de 45 anos de atuação, a empresa já entregou mais de 850 aeronaves no país, sendo cerca de 700 ainda em operação em missões essenciais, como segurança, resgate e apoio à população.

Com sede em Itajubá, a companhia emprega mais de 500 profissionais e mantém estrutura de manutenção, treinamento e suporte em diferentes regiões do país.

A Helibras também desempenha papel estratégico no desenvolvimento da indústria nacional, com transferência de tecnologia em parceria com a Airbus Helicopters e impacto direto na cadeia produtiva, que movimenta centenas de milhões de dólares anualmente.