Faleceu na madrugada desta quarta-feira, 22 de outubro, o escritor, poeta, trovador, jornalista, historiador, advogado e cacique político Eduardo Antonio de Oliveira Toledo — o nosso inesquecível Didu Toledo.
Didu teve uma vida rica de vida e cheia de iniciativas de sucesso. Sempre ao lado de sua musa, Águeda Toledo, era conhecido pela generosidade e pela capacidade de ver o melhor em cada pessoa. Observava o ser humano com bondade, altruísmo, honestidade e lealdade. Não tinha inimigos — tinha amigos, admiradores e parceiros de caminhada.
Um homem que fez história
Pouso Alegre deve a Didu muitas de suas grandes conquistas. Ele foi fundador e presidente da Academia Pousoalegrense de Letras, além de um dos fundadores nacionais do PSDB, ao lado de Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Afonso Arinos.
Aqui, um história curiosa que envolve Didu e Pouso Alegre. Em 1988, uma semana antes da fundação nacional oficial do partido, Didu — ao lado do então deputado federal Carlos Mosconi — recebeu em Pouso Alegre, no Cine Eldorado, uma multidão de pessoas de toda a região para a primeira filiação do PSDB no Brasil. Todos os presentes receberam, naquele dia, a assinatura de Mário Covas, presente no evento, em suas fichas. Eduardo Toledo foi nomeado por Covas como primeiro presidente do PSDB de Pouso Alegre.
Entre 2000 e 2004, foi Secretário Municipal de Cultura, cargo em que imprimiu sua marca ao promover cultura e lazer em todos os bairros, com carnavais inesquecíveis, espetáculos teatrais semanais e uma explosão de vida cultural.
Foi criador da “Quarta no Parque”, um evento que misturava música, brincadeiras para crianças e bancas de alimentação, com parte da renda revertida para instituições sociais como o Clube do Menor, Lar de Idosos, APAC e escolas primárias.
Guardião da memória
Além da política e da cultura, Didu foi um cronista incansável da história pousoalegrense. Participou de diversos jornais e foi, ao lado da TV Uai, um dos criadores do site “Pouso Alegre Passado e Presente”. Ali, disponibilizou gratuitamente seus livros Estórias do Mandu I e II — verdadeiros tesouros literários.
Em sua casa, repleta de jornais, revistas e documentos — muitos com a idade da própria cidade — está guardada a alma de 177 anos de Pouso Alegre. Boa parte desse acervo herdada de seus antepassados, que também cultivavam e preservavam a história local.
A TV Uai une-se à dor da família, dos amigos e de toda a cidade, na certeza de que Didu foi recebido com festa pelos anjos. Hoje, não perdemos apenas um homem — perdemos um pedaço vivo da nossa história.
Biografia

Eduardo Antonio de Oliveira Toledo nasceu em Pouso Alegre, Minas Gerais, em 6 de maio de 1941, filho do Desembargador Geraldo Toledo e de Alvarina Amaral de Oliveira Toledo. Casado com a artista plástica Águeda Toledo há 56 anos, foi pai de Geraldo Neto, Érico e Romero (falecido ainda jovem).
Poeta, trovador, jornalista, escritor, historiador, orador e advogado formado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (1966), foi Fiscal de Rendas no Rio de Janeiro, Presidente Nacional da União Brasileira de Trovadores e membro de diversas academias literárias, entre elas:
- Academia Pousoalegrense de Letras (fundador e presidente)
- Academia Municipalista de Letras de Minas
- Academia Mineira de Trovas
- Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias
- Academia Brasileira de Trovas (membro-correspondente)
- Academia de Trovas do Rio Grande do Norte
- Instituto Histórico e Geográfico de Uruguaiana (membro-honorário)
Publicou 7 livros entre poesia, prosa e história local, além de dezenas de participações em coletâneas literárias. Foi vencedor de centenas de concursos literários no Brasil e em Portugal.
A poesia de Didu
“A história de Pouso Alegre não me pertence. Ela pertence a todos nós. Eu apenas a recolho, como quem guarda tesouros.” — Didu Toledo
Suas trovas premiadas emocionaram gerações. Ele falava de amor, saudade, fé e esperança com a delicadeza dos grandes poetas populares. Algumas de suas trovas premiadas e inesquecíveis:
“Os meus sonhos vão ao léu,
pelas asas da ilusão,
plantando flores no céu,
colhendo estrelas no chão!”
“A saudade se embaraça
e a paixão se intensifica…
— Não pelo instante que passa,
mas pelo instante que fica!”
“No engenho do desencanto,
vou moendo a soledade
e destilando o meu pranto
no alambique da saudade!”
Suas palavras, assim como sua vida, foram uma celebração do que Pouso Alegre tem de mais bonito: gente, história e sentimento.
Um legado eterno
Eduardo “Didu” Toledo não foi apenas um homem culto. Foi um homem bom. Um amigo presente, um contador de histórias, um artista das palavras e um defensor incansável da memória pouso-alegrense.
Com sua partida, a cidade chora — mas também agradece por tudo o que ele construiu, preservou e compartilhou.
Seu nome, sua obra e sua alma seguirão vivos, como um rio que nunca deixa de correr.
Rosy Pantaleão e equipe TV UAI
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