UCB Power firma parceria com empresa dos EUA para expandir mercado de baterias no Brasil
A UCB Power, fabricante brasileira de sistemas de armazenamento de energia, anunciou um Memorando de Entendimento (MoU) com a Powin, empresa norte-americana especializada em armazenamento de energia. O objetivo da parceria é ampliar a atuação no mercado brasileiro de baterias de grande porte, acima de 30 megawatts (MW), e disputar o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
De acordo com o vice-presidente de negócios e inovação da UCB Power, Marcelo Rodrigues, a busca por um parceiro internacional durou cerca de seis meses. A escolha da Powin foi motivada por seu histórico de sucesso em projetos de armazenamento de energia, somando 17 gigawatt-hora (GWh) instalados globalmente. A colaboração visa unir a tecnologia da empresa americana à produção local e ao conhecimento do mercado brasileiro da UCB Power, que possui unidades em Manaus (AM) e Extrema (MG).
A UCB Power tem apresentado um crescimento médio de 20% ao ano e projeta um avanço de 25% em 2024. Já a Powin busca consolidar sua presença na América Latina, vendo o Brasil como um mercado estratégico para soluções de armazenamento em larga escala. O memorando surge em meio à expectativa pelo leilão da Aneel, que poderá definir diretrizes para a implementação de projetos de grande capacidade.
A concretização da parceria comercial dependerá das regras estabelecidas pelo certame da Aneel. Para Rodrigues, é essencial garantir que o leilão contemple um volume adequado para o setor, evitando que a capacidade seja reduzida em favor de usinas termelétricas. A UCB defende um certame com potência de 2 GW e capacidade de armazenamento de 8 GWh. Caso essa sinalização seja confirmada, o setor pode atrair investimentos de até R$ 40 bilhões até 2030, segundo estimativas da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae).
Mercado de armazenamento de energia ainda é incipiente no Brasil
Enquanto no cenário global foram comissionados 155 GW em armazenamento de energia no último ano, o Brasil registrou apenas 660 MW. Segundo Marcelo Rodrigues, essa discrepância é preocupante, considerando o potencial energético do país. Ele destaca que o mercado brasileiro ainda adota uma abordagem conservadora quanto à incorporação de sistemas de armazenamento na rede elétrica nacional.
O executivo ressalta que a regulação terá um papel fundamental na expansão do setor. “Em mercados mais desenvolvidos, nenhuma fonte intermitente é implantada sem pelo menos 20% de armazenamento em bateria. A definição de um marco regulatório sólido no Brasil poderá acelerar significativamente os investimentos”, concluiu Rodrigues.



