Multinacional chinesa avalia aumento da capacidade fabril no Sul de Minas e projeta vinda de novas tecnologias de alta densidade para redes de internet e data centers
O Sul de Minas Gerais se consolida cada vez mais como o epicentro da infraestrutura digital do país. A YOFC Brasil confirmou que projeta para 2027 a expansão da capacidade produtiva de sua fábrica de telecomunicações instalada em Pouso Alegre. A gigante do setor chegou a planejar o movimento, que tem potencial para dobrar a capacidade da planta, mas optou por recalibrar o cronograma em consonância com as oscilações e demandas do mercado.
“A previsão é para fazer essa expansão o ano que vem. Então, o ano que vem nós vamos expandir a fábrica, e sempre dependendo de mercado”, afirmou Reinaldo Jerônimo, CEO da YOFC Brasil Cabos e Soluções.
O investimento consolida o apelido informal que Pouso Alegre vem ganhando nos bastidores do setor: a “Shenzhen Mineira”. Fazendo alusão à metrópole chinesa que é a capital mundial do hardware e das telecomunicações, o município mineiro responde como o “músculo” industrial e logístico da região, transformando tecnologia de ponta em produção massiva de cabos e soluções de conectividade óptica para operadoras, provedores de internet (ISPs) e data centers.
O salto tecnológico: fibra de núcleo oco e latência 33% menor
Apostando alto no futuro das redes de processamento intensivo de dados — cruciais para o avanço da Inteligência Artificial e computação em nuvem —, a YOFC se prepara para introduzir conceitos revolucionários no mercado nacional. O grande destaque da companhia na feira Futurecom é a fibra de núcleo oco.
Ao contrário das fibras convencionais, onde os dados viajam através do vidro, nessa nova tecnologia a propagação da luz ocorre principalmente pelo ar. O impacto prático dessa mudança de engenharia é impressionante: atenuação drasticamente reduzida: o índice cai para impressionantes 0,05 dB, em comparação com os cerca de 0,21 dB da fibra óptica tradicional e velocidade extrema: a tecnologia alcança uma redução de aproximadamente 33% na latência (o tempo de atraso no envio de dados).De acordo com Jerônimo, a novidade já superou a fase de laboratório. “Hoje já é realidade. Fora do Brasil já temos projetos. Já não é desenvolvimento, são projetos reais”, garantiu o executivo citando aplicações ativas na China, Estados Unidos e Oceania.
Densificação extrema: cabos de até 2 mil fibras
Outro grande gargalo que a “Shenzhen Mineira” pretende ajudar a resolver é a falta de espaço físico nos postes e dutos subterrâneos das grandes cidades. A YOFC passará a apresentar ao mercado os cabos Ribbon com capacidades massivas de 1,7 mil e 2 mil fibras internas.
Embora esses modelos de altíssima densidade ainda não sejam fabricados em solo nacional, a empresa já se adianta desenvolvendo uma alternativa brasileira baseada em microtubos e fibras de menor diâmetro, focada em viabilizar a produção local. O objetivo principal é expandir o poder das redes ocupando espaços significativamente menores, filosofia que também será aplicada em sua linha de caixas de emenda e cabos pré-conectorizados.
Da China para Pouso Alegre: a força da produção nacional
A YOFC iniciou sua trajetória há 38 anos em Wuhan, na China. No Brasil, a história começou a se desenhar em 2021 com a aquisição da Poliron (que pertencia à Belden). Desde então, a empresa dividiu estrategicamente suas operações: enquanto a unidade de Diadema (SP) concentra a fabricação de cabos especiais de energia, a planta de Pouso Alegre foca exclusivamente nas soluções para conectividade óptica e infraestrutura de redes.
Operando sob as regras do Processo Produtivo Básico (PPB), a unidade mineira agora trabalha ativamente para obter o reconhecimento de tecnologia nacional previsto na Portaria 950. A proposta central dessa nova fase é ampliar a capacidade das redes sem exigir grandes espaços físicos, otimizando a infraestrutura digital do país. Ao nacionalizar a produção da tecnologia que move a internet, Pouso Alegre mostra a força do Sul de Minas: uma região completa que une mentes brilhantes, startups inovadoras e a escala industrial necessária para fabricar, quilômetro por quilômetro, a estrutura que conecta o Brasil ao futuro.Pouso Alegre no mapa da tecnologia óptica
Com a possível expansão em 2027, a fábrica instalada no Sul de Minas deve ganhar espaço justamente em um mercado pressionado pela necessidade de redes com maior capacidade, especialmente diante do crescimento de data centers e do consumo de dados.



