
No Dia da Consciência Negra, Senac ressalta a influência afro na culinária brasileira e compartilha receitas de acarajé e vatapá
No Dia da Consciência Negra, celebrado nesta quinta-feira, 20, o Senac — integrante do Sistema Fecomércio MG — chama atenção para uma das contribuições mais marcantes da cultura africana no país: a culinária. Muito além de técnicas e ingredientes, a cozinha afro-brasileira é reconhecida como patrimônio imaterial, transmitido por gerações e profundamente ligado à fé, à memória e à identidade do povo brasileiro.
Segundo o chef e docente da Faculdade Senac de Gastronomia BH, Eduardo Batista, a presença africana é a base que sustenta os sabores nacionais. “A culinária afro-brasileira é a alma que dá ritmo ao sabor do nosso país. Ela preenche o prato e a nossa história. É memória, resistência, afeto e fé cozidos juntos. Sem a presença africana, nossa mesa seria silenciosa! É ela quem nos dá cor, perfume, intensidade e sentido”, afirma.
Entre os alimentos trazidos pelos povos africanos estão o feijão-fradinho, o quiabo, o amendoim, o coco, o gengibre e o azeite de dendê — ingredientes que não apenas moldaram o paladar brasileiro, mas também influenciaram modos de preparo, como o uso do pilão, as frituras rituais, a elaboração de caldos e mingaus, além da valorização das folhas e do ato de cozinhar com as mãos.
Em Minas Gerais, essas influências se misturam ao barro das panelas, ao fogo lento e às tradições das irmandades negras. “Nosso dendê pode ser mais tímido que na Bahia, mas nossa memória é profunda. Minas guarda África no modo de receber, na fartura fraterna, na cozinha que é terreiro e altar”, completa Eduardo.
O chef ressalta ainda que o ensino gastronômico tem papel fundamental na preservação dessa herança. “Reconhecer a contribuição africana é devolver nomes às mãos que historicamente foram caladas. Técnica sempre existiu. Ciência culinária vivia nos terreiros, feiras e quintais. Ensinar é dar visibilidade e história a quem sempre cozinhou com consciência.”
Receitas para celebrar a ancestralidade
Para quem deseja levar os sabores da cultura afro-brasileira para a mesa durante o Mês da Consciência Negra, o docente indica dois pratos tradicionais: acarajé e vatapá. Confira as receitas.
Acarajé
Rendimento: 2 porções
Tempo de preparo: 24h (pré-preparo) + 40 min
Ingredientes:
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250 g de feijão-fradinho
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1 cebola média
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Sal a gosto
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½ cebola descascada (para fritar)
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Azeite de dendê (para fritar)
Modo de preparo:
Bata o feijão-fradinho seco no liquidificador apenas para quebrar os grãos. Deixe de molho por 24 horas. Escorra, retire as cascas e bata novamente com a cebola até formar uma massa homogênea. Em uma tigela, bata bem a massa até ficar aerada e acrescente sal.
Aqueça o azeite de dendê com meia cebola para aromatizar e frite os bolinhos moldados com duas colheres até dourarem. Sirva puro, com pimenta ou recheado com vatapá, caruru e salada de tomate verde.
Vatapá
Rendimento: 1 a 2 porções
Tempo de preparo: 60 min
Ingredientes:
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100 g de pão dormido
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100 ml de leite de coco
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15 g de camarão seco (sem cabeça)
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25 g de amendoim torrado (sem pele)
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25 g de castanha de caju
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50 ml de azeite de dendê
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50 g de cebola ralada
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5 g de gengibre ralado
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200 ml de caldo de cabeça de peixe
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Sal a gosto
Modo de preparo:
Deixe o pão amolecer em água. Bata o camarão seco no liquidificador ou pilão até virar pó e reserve. No liquidificador, bata o pão com o amendoim e a castanha. Em uma panela, refogue a cebola e o camarão no dendê. Adicione a mistura de pão e o gengibre, mexendo sempre. Acrescente o caldo e o leite de coco, cozinhando até soltar da panela. Finalize com o restante do dendê.
Chefs que ampliam o protagonismo afro na cozinha
A gastronomia afrodescendente ganha cada vez mais espaço no país. Entre os nomes de referência estão Carmem Virgínia, conhecida pelas criações que reverenciam a ancestralidade; Aline Chermoula, especialista em culinária de matriz africana; e Benê Ricardo, considerada a primeira chef de cozinha do Brasil e pioneira na valorização da identidade negra na gastronomia.
Também se destacam João Diamante, que alia pesquisa gastronômica a projetos sociais, e Dandara Batista, representante da nova geração de chefs negros que reafirmam a influência africana no paladar nacional.
“A cozinha brasileira é uma grande roda de conversa. A mandioca indígena se encontra com o pilão africano; as panelas portuguesas se enchem de tempero negro; e dessa mistura nasce um país. A culinária afro-brasileira tece pontes e reinventa tradições”, finaliza o chef Eduardo Batista.
Fecomércio MG e Senac em Minas
A Fecomércio MG, entidade que representa mais de 750 mil empresas do comércio de bens, serviços e turismo em Minas Gerais, atua há 86 anos na defesa dos interesses do setor e na promoção de ações que beneficiam empresários, trabalhadores e a comunidade. A instituição administra o Sesc e o Senac no estado, fortalecendo iniciativas de educação, cultura, lazer e qualificação profissional.
Com 42 unidades educacionais e 14 carretas-escola, o Senac em Minas oferece cursos técnicos, graduações, MBAs e formações ágeis alinhadas às demandas do mercado, com foco em inovação, inclusão e sustentabilidade.
Para mais informações sobre o curso de Gastronomia, o Senac disponibiliza detalhes em seu site oficial.



