Quaresma é tradição forte entre católicos e parte de anglicanos e luteranos, mas não é prática comum entre evangélicos no Brasil; veja as diferenças
Com a chegada da Quaresma — os 40 dias que antecedem a Páscoa — cresce a dúvida sobre quais igrejas cristãs adotam práticas específicas nesse período. Embora a data seja bastante associada ao catolicismo, nem todos os grupos cristãos seguem os mesmos ritos.
No Brasil, onde a maior parte da população se declara cristã, segundo levantamentos do IBGE, a vivência quaresmal varia conforme a tradição religiosa.
A Quaresma é historicamente observada pelas igrejas Católica e Ortodoxa e também por ramos históricos do protestantismo, como anglicanos e luteranos. Em alguns casos, comunidades metodistas e presbiterianas também adotam práticas pontuais como cinzas, incentivo à oração, leitura bíblica e jejuns.
O período tem caráter penitencial e simbólico, inspirado nos relatos bíblicos dos 40 dias de Moisés no Sinai, de Elias no Horeb e de Jesus no deserto. A proposta central é intensificar a vida espiritual por meio de disciplina, renúncia e reflexão.
Entre os evangélicos brasileiros — especialmente de linhas pentecostais e neopentecostais — a Quaresma não costuma ser oficialmente observada. De acordo com dados de pesquisas de opinião como as do Datafolha, esse é hoje um dos segmentos religiosos que possui cerca de 31% no país.
Nessas igrejas, a preparação espiritual não fica presa ao calendário litúrgico. Pastores ouvidos por especialistas em religião afirmam que jejuns e períodos de consagração podem ocorrer em qualquer época do ano, conforme decisão pessoal ou orientação comunitária.
Mesmo sem seguir a Quaresma formalmente, muitas igrejas evangélicas promovem programações especiais antes da Páscoa, com cultos temáticos, apresentações musicais e encenações sobre a crucificação e a ressurreição de Cristo. A Sexta-Feira Santa, em particular, costuma receber atenção especial, com sermões e reflexões bíblicas.
Especialistas destacam que, apesar das diferenças de prática, o significado da Páscoa é central para todas as vertentes cristãs, ainda que os caminhos de preparação espiritual sejam distintos.