A 85 segundos do fim: cientistas alertam que humanidade vive momento mais perigoso da história

Ciência e Tecnologia Meio Ambiente Notícias Últimas Notícias Utilidade Publica
Relógio do Apocalipse é ajustado para 85 segundos da meia-noite em 2026 atingindo menor margem já registrada. Cientistas apontam risco real de colapso nuclear, climático e tecnológico

A humanidade nunca esteve tão perto do colapso global. Em 27 de janeiro de 2026, o Relógio do Apocalipse foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite, a menor margem já registrada desde a criação do indicador, em 1947. O alerta foi emitido pelo Conselho de Ciência e Segurança do Boletim dos Cientistas Atômicos e aponta uma combinação inédita de ameaças simultâneas ao futuro da civilização.

Segundo os cientistas, o mundo entrou em uma zona de risco extremo marcada pela escalada nuclear, agravamento das mudanças climáticas, avanço descontrolado da inteligência artificial, novas ameaças biológicas e o colapso da cooperação internacional. Para o conselho, líderes globais ignoraram alertas anteriores e passaram a adotar políticas que ampliam — em vez de reduzir — os riscos existenciais.

Potências nucleares em rota de colisão

O relatório destaca que Estados Unidos, Rússia e China intensificaram rivalidades estratégicas e nacionalistas ao longo de 2025. A guerra entre Rússia e Ucrânia seguiu com inovações militares perigosas e ameaças explícitas de uso de armas nucleares. Conflitos entre Índia e Paquistão envolveram ataques com drones e mísseis, enquanto bombardeios de Israel e dos Estados Unidos a instalações iranianas reacenderam temores sobre proliferação nuclear no Oriente Médio.

Paralelamente, o mundo assiste a uma nova corrida armamentista. A China amplia rapidamente seu arsenal nuclear, enquanto EUA e Rússia modernizam sistemas de lançamento. O projeto norte-americano do sistema antimíssil “Domo Dourado”, que prevê interceptores no espaço, pode inaugurar uma perigosa militarização orbital.

A possível expiração do tratado Novo START, último acordo que limita armas nucleares estratégicas entre EUA e Rússia, encerra quase 60 anos de tentativas formais de conter a escalada nuclear entre as maiores potências do planeta.

Crise climática fora de controle

Os cientistas também apontam que a crise climática entrou em um estágio crítico. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu 150% dos níveis pré-industriais, enquanto os anos de 2024 e 2025 registraram temperaturas recordes. O nível dos oceanos alcançou nova máxima histórica, impulsionado pelo derretimento de geleiras e pela expansão térmica.

Ondas de calor, secas prolongadas e enchentes extremas provocaram mortes e deslocamentos em massa. Só na Europa, mais de 60 mil pessoas morreram por calor extremo, enquanto enchentes no sudeste do Brasil desalojaram mais de meio milhão de pessoas.

Apesar disso, as respostas políticas globais foram consideradas insuficientes. As recentes conferências climáticas da ONU evitaram compromissos claros com a eliminação dos combustíveis fósseis, e o governo dos Estados Unidos desmantelou políticas ambientais e atacou o setor de energias renováveis.

IA, biotecnologia e riscos inéditos

O relatório também chama atenção para ameaças emergentes. Pesquisadores alertaram para os riscos da chamada “vida espelho”, organismos sintéticos que poderiam escapar aos controles naturais e causar colapsos ecológicos em escala global. Até agora, não há um plano internacional para lidar com esse risco.

Ao mesmo tempo, a inteligência artificial amplia o potencial de criação de novos patógenos e vem sendo incorporada a sistemas militares sensíveis, inclusive ligados a decisões nucleares. A revogação de regras de segurança para IA nos Estados Unidos reforçou o temor de que a tecnologia esteja avançando mais rápido do que os mecanismos de controle.

Além disso, o uso massivo de IA tem intensificado a desinformação, corroendo o debate público e dificultando respostas coordenadas a ameaças globais.

Democracia em retração e cooperação em queda

Para o Boletim, a ascensão de governos autocráticos e nacionalistas agrava o cenário. A lógica de confronto permanente e soma zero reduz a cooperação internacional e aumenta a probabilidade de erros catastróficos em momentos de crise.

Ainda há saída — mas o tempo é curto

Apesar do tom alarmante, os cientistas afirmam que o desastre não é inevitável. Entre as medidas urgentes estão a retomada do diálogo sobre controle nuclear, acordos globais para regular o uso militar da inteligência artificial, políticas climáticas eficazes e cooperação internacional para conter riscos biológicos.

“O caminho atual é insustentável”, alertam. “Se nada mudar, os ponteiros continuarão avançando.”

Com informações e fotos do Boletim dos Cientistas Atômicos