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O Registro do Ouro
Em 1755, a região do Sul de Minas já era plenamente conhecida, devassada que foi por aventureiros paulistas, os quais palmilharam o vasto território à procura de ouro e lançaram as sementes de vários povoados.
Com a demarcação entre as províncias de Minas Gerais e São Paulo ainda indefinida, Francisco Martins Lustosa e Veríssimo João deCarvalho tomaram posse do descoberto de Santana do Sapucaí e Ouro Fino, e foram nomeados pelo governador de São Paulo, respectivamente, guarda-mor e intendente das minas. Deixando essas terras repartidas e em franca exploração, prosseguiram em suas investigações, devassando toda essa parte da bacia do Sapucaí.
Veríssimo João de Carvalho explorou os rios Cervo e Mandu, em cujas cabeceiras descobriram-se as minas de Ouro Fino, e mandou abrir uma picada entre Santana e o novo descoberto.
A esses dois sertanistas deve-se a fundação dos povoados de Santana do Sapucaí (1746) e Ouro Fino (1749), que foram posseados com o apoio do governador de São Paulo, e dividida as suas minas, de onde se extraia o precioso metal.
O governo mineiro estava resolvido a tomar posse da regíão em disputa, que incluía todo o Sul de Minas e para isso tinha plenos poderes da Metrópole. Entretanto, os paulistas obedeciam às autoridades mineiras e se recusavam a reconhecer a divisa entre as capitanias, que, segundo eles, seria a margem esquerda do Rio Sapucaí.
Durante o governo do general Gomes Freire de Andrade, esta autoridade "mandou que, por ordem sua, fosse tomada posse de todas aquelas terras minerais, estabelecendo uma guarda no Sapucaí e um Registro no Mandu". Com essa medida o governador da província de Minas Gerais esperava resolver definitivamente a questão. Não obstante, continuou encontrando resistência por parte dos paulistas.
Para terminar a disputa, o general Gomes Freire ordenou, então, a divisão pela Mantiqueira, Morro do Lopo e Serra do Mojiguaçu, e deu a comissão ao ouvidor de São João del Rei, Thomaz Rubim de Barros Barreto, que veio a Santana do Sapucaí, afastou o guarda-mor Lustosa e lavrou os termos de diligência e posse da região.
Mais tarde, em 1764, o novo governador da Capitania de Minas Gerais, o general Luiz Diogo Lobo da Silva, fez o seu célebre giro pela região do Sul de Minas, a fim de restabelecer a sua jurisdição nesse território. Em sua companhia levou Cláudio Manuel da Costa, então seu secretário do governo, que fez uma ligeira referência à viagem, no poema Vila Rica.
Nessa viagem, que durou cerca de três meses, "a comitiva partiu de São João del-Rei para Oliveira, Capetinga, Pium-i e Barra do Sapucaí; desceu às cercanias de Jacuí, de onde, em seguida, atravessou o Mandu e visitou Santana do Sapucaí e Campanha".
Chegando a comitiva de volta a São João del Rei, Cláudio Manoel da Costa lavrou um termo ou acento de diligência e fez o histórico de toda a viagem, no qual menciona o Registro do Mandu e observa que o antigo Registro, criado pelo governo anterior do general Gomes Freire de Andrade, não devia continuar no sitio em que se encontrava, sendo determinado pelo governador Luiz Diogo que fosse mudado, por ficar fora da estrada que ligava Ouro Fino a Camanducaia, e estabelecido às margens do Mandu.
A criação de um Registro, muito antes da criação da freguesia, indica que um povoado antigo se formou lentamente às margens do rio. Um lugarejo relativamente populoso que justificava o estabelecimento de um Registro do Ouro no lugar. A presença de certo número de guardas nesse posto fiscal faz crer que seria um Registro de grande movimento, porque por aqui passava o único caminho conhecido pelos viajantes, entre Vila Rica e São Paulo.
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