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"O POUSO DO MANDI, MANDU, MANDI" *

No início do século XVIII, o Brasil assistia à chegada de milhares de imigrantes. Nesta época, por forças das circunstâncias políticas do momento, uma grande massa vinha da França. Vinda de um país culto e civilizado, trazia a tarefa de desbravar o território nacional, aparar as resistências, marcar localizações e definir limites.
Por ser urna grande região, localizada em ponto estratégico no mapa brasileiro, Minas Gerais foi o Estado que mais recebeu os desbravadores franceses. E um desses aventureiros, que vinha pelo interior das Geraes, em chegando às margens de um rio, à sombra de uma árvore grande, ponto de pousada e descanso de tropeiros, parou para admirar a beleza natural do lugar e perguntou aos lavradores que ali estavam: "Comment s'apelle ce fleuve là ? " (Corno se chama este rio?); os lavradores não entenderam o que o estranho dizia... O francês, de rosto avermelhado e vestindo roupas diferentes, insistiu:
"Comment s'apelle ce fleuve là, João, José?" e apontava para o rio! Aí, um matuto mais sabido disse para o outro: "Oi cumpadre, acho que o moço tá perguntando o nome do rio", e respondeu ao forasteiro: "Mandi".
O francês auscultou o lugar, passeou, reconheceu o terreno, dormiu, descansou e de manhã, após beber a água boa e saudável do rio Mandi daqueles tempos, seguiu o seu destino, levando anotado o nome do rio e do lugar amigo.
Na língua língua francesa a vogal "u" tem som de "i", e lá foi o aventureiro em direção ao chefe dos desbravadores, entregando o roteiro que havia percorrido e que, também, assinalava no mapa uma nova região visitada e que marcava um ponto que levou o nome de "Pouso do Mandu". Assim, assinalado e registrado, o rio ganhou outro nome e passou a se chamar, oficialmente, Rio Mandu.
Naqueles tempos, o velho rio era abundante de peixes, ao contrário de hoje quando a poluição e o desamor à natureza deixaram-no com poucas vidas.
Em 1700, o despreguiçado francês não teve a sorte de saborear o nosso peixe mais tradicional, porém, involuntariamente, trocou o nome do rio Mandi para rio Mandu, mas não trocou o do peixe que sobrevive até hoje, embora, cruelmente, esteja em processo de extinção.


A Origem do Nome
"O Pouso do Mandi, Mandu, Mandi" *

* Estórias do Mandu - Eduardo Toledo.

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