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O Largo da Matriz

Contrariando uma norma histórica da maioria dos núcleos populacionais do Brasil, que quase sempre surgiram em torno de pequenas capelas ou cruzeiros, a cidade de Pouso Alegre surgiu a partir de um rancho para viajantes às margens do Mandu. Só mais tarde, com o crescirnento do povoado, sentiu-se a necessidade de se erguer uma capela que desse assistência religisa aos habitantes do lugar. Havendo a necessidade de um patrimônio para a ereção da capela, esse foi constituído de terras doadas por Antônio José Machado, que se situava onde é hoje a Praça Senador José Bento. Nesse local foi constituída uma capela, sob a invocação do Senhor Bom Jesus dos Mártires ou do Matozinho, em torno da qual surgiu um aglomerado de casas que deu início à formação do arraial. A capela, que se situava um pouco a frente da atual Catedral, era feita de adobos e coberta de folhas de palmeira que, entrelaçadas, formavam uma perfeita esteira. Em frente da capela ficava um pequeno cemitério (na quadra do atual jardim) e para os lados da Rua Comendador José Garcia nada existia, a não ser um vasto pantanal.
Em 1802 a capela estava edificada no centro da praça, onde está hoje o monumento da Imaculada Conceição.
Com o passar dos anos, e com o crescimento da população, a primitiva capela tornou-se insuficiente, e em fins de 1849 ou começo de 1850, teve início a construção da nova matriz, atrás da antiga capela, a qual foi concluída em 1857.
O Largo da Matriz foi o primeiro e mais importante logradouro da nascente cidade de Pouso Alegre. Aí residia o miolo da sociedade, aí localizava~se o seu incipiente comércio, a Câmara Municipal e a antiga igreja de taipas.
No começo do século o largo era de terra batida, mal conservado e sem qualquer ajardinamento, tendo no centro apenas um chafariz que fornecia água a população e um cruzeiro sombrio, fincado na terra, com pedras na base, à guisa de pedestal.
Emoldurando ao fundo o templo, duas alas de casuarinas e cinamomos se destacavam. Essas árvores estranhas e lendárias, plantadas no coração da cidade, cresceram de tal forma, que de longe assinalavam aos viajantes a situação do povoado. Uma curiosidade é que as casuarinas possuíam longas folhas que se afunilavam com o vento e emitiam sons agudos, como se estivessem cantando.
A Matriz erguida em 1857, que tinha um telhado pontiagudo e não tinha torres, sofreu algumas reformas, sendo melhorada no princípio do século para a sua elevação a Catedral.
No paroquiato do cônego Vicente de Mello César foram feitas importantes reformas, constando de abaixamento do ponto do telhado, demolição das taipas internas e substituição por colunas de madeira, nova capela-mor, forro e assoalho de toda a igreja. Posteriormente, outra reforma foi contratada para a construção da nova fachada.
Exteriormente o templo não apresentava grandes lavores artísticos, mas tinha um interior majestoso: colunas de madeira artisticamente trabalhadas sustentavam a nave; o teto, apoiando-se sobre os arcos das tribunas, vistosos e bem ornamentados, primavam pela elegância; no meio da nave erguiam-se, de cada lado, os púlpitos, de onde se faziam ouvir as palavras de ensinamentos da religião. Para além da balaustrada que dividia a nave, via-se uma escadaria, coberta por vistosos tapetes, que levava a um patamar onde ficava o altar-mor e as tribunas do cabido. O rico altar de madeira era artisticamente burilado e de fino gosto, onde era venerado o Senhor Bom Jesus, o padroeiro da Matriz. Uma moderna iluminação a gás acetileno fazia realçar a pintura interior, que apresentava uma combinação de cores de muito bom gosto.
Neste local ficavam as melhores casas e aí residiam os mandanlugar. Pessoas de posses que usavam roupas de alfaiate e sapatos finos: os juízes, o vigário, o médico, os lojistas, o farmacêutico, a gente do Foro e da Câmara. Aí se realizavam os bailes e jogos de prenda. Aos domingos a Matriz atraia os fiéis para a missa, e o bilhar os desocupados à procura de diversão. Os moradores do largo, possuidores de escravos, davam-se à comodidade de ter a sua vaca leiteira que medrava solta na várzea, durante.o dia. Ao cair da noite, as vacas, em grande número, com as respectivas crias, entravam na cidade pela Rua da Ponte, passo a passo, uma atrás da outra, à procura do Largo da Matriz, onde se juntavarn para dormir.

Curiosidades
O Ribeirão das Mortes
O Banquete dos Pobres
Enforcamento
O Largo da Matriz
O Largo do Rosário
O Largo da Cadeia
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Um Pouso muito Alegre
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* Estórias do Mandu - Eduardo Toledo

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