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Crime do Senador

No processo instaurado contra os assassinos do senador, não foi possível apurar se houve mandantes para a execução do crime, como era voz corrente, tendo o então delegado de polícia, Julião Florence Meyer, denunciado ao ministro da Justiça a persuasão de que os Barros haviam diretamente concorrido para o assassinato, lembrando igualmente a impossibilídade de que se achava de os prender, dada a posição de ambos - um, comandante superior da Guarda Nacional, e o outro, vigário encomendado da Igreja - os quais se conservavam debaixo da segurança de mais de cem guardas nacionais.
Destacava-se ainda na direção política da vila, a figura de um dos maiores inimigos de José Bento - o juiz de Direito Bernardino José de Campos, sobre quem recaíam suspeitas, conforme alusão feita por testemunhas, no correr do sumário.
Em virtude da comunicação do delegado Julião Florence Meyer, o ministro da Justiça demitiu aquelas autoridades de suas funções e enviou o chefe de polícia e uma força policial para Pouso Alegre, com a missão de abrir um rigoroso inquérito. O chefe de polícia, dr. Pantaleão José da Silva, dando cumprimento à sua missão, mandou prender imediatamente os suspeitos e principiou o processo. Já estava em andamento o mesmo, o dr. Pantaleão recebe ordens para se recolher à capital e passar o processo ao juiz municipal e delegado de polícia José Ignácio de Campos, membro exaltado da facção política dos acusados. Sem dúvida, um golpe político cujo fim manifesto era salvar os indiciados.
Simulada aquela situação para atender ao clamor de justiça levantado pelos parentes da vítima e exigida pela decência, o andamento do processo emperrou, reduzindo-se a um auto de delito, inquirição de algumas testemunhas e arquivamento do processo por insuficiência de provas.
E o resultado foi que o cel. Julião Meyer, em castigo por sua coragem e honestidade, tivesse que sofrer uma prisão sob a acusação de ter dado uma falsa denúncia contra os acusados e se visse obrigado, assim como os parentes da vítima, a abandonar a vila, com receio de ter a mesma sorte que coube ao senador José Bento.

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* Estórias do Mandu - Eduardo Toledo

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