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Iluminação
Até o ano de 1878, Pouso Alegre ainda não possuía iluminação urbana. As ruas viviam em completa escuridão, constituindo-se verdadeíro perigo aos que se aventuravam a caminhadas noturnas. Os buracos e atoleiros das ruas eram verdadeiras armadilhas para os transeuntes, e uma esquina podia ser um traiçoeiro quebra-nariz. Por isso quando as famílias saiam à noite, levavam um moleque com uma lanterna, o qual ia na frente iluminando o caminho. Nos dias de festas populares, no Largo da Matriz, acendiam-se grandes fogueiras. Nas residências usavam-se comumente velas, lamparinas de azeite ou lampião belga. Nas casas de famílias de posse, além de um lustre central, com dez ou doze "luzes", o qual só era usado nas grandes ocasiões, usavam-se também castiçais de prata, que ficavam sobre os consolos dentro de redomas, chamadas de "donzelas de cristal", que protegiam as chamas contra o vento, ou lampiões de querosene, com quebra luz de opalina branca. Nos quartos de dormir, predominavam as lamparinas de azeite, durante a noite toda, por não oferecerem maior perigo.
Em 1878 a cidade passou a ter iluminação urbana, graças aos esforços e à iniciativa do dr. Francisco Luiz da Veiga, que obteve da Assembléia Provincial uma quota anual de 1:500 000 (hum conto e quinhentos) para a manutenção dessa iluminação e adiantando uma não pequena quantia para a compra dos lampiões, a aquisição de postes e a inauguração do serviço.
A cidade passou a ser iluminada por 70 lampiões de querosene, os quais eram acesos ao anoitecer e apagados às 11 horas. Durante a lua cheia, ou quando havia claridade suficiente, não se acendiam os lampiões.
Com a invenção da luz elétrica no final do século passado, Pouso Alegre, sempre pioneira, foi a primeira cidade a implantar tão importante melhoramento no Sul de Minas, graças à iniciativa e aos trabalhos do engenheiro Beijamim Frankiin Silviano Brandão, que se especializou nos E.U.A. e trouxe a novidade para a nossa cidade. Juntamente com o ten.cel. José Claro de Almeida Ramos Brandão e o major Augusto Libânio, fundaram a Empresa de Força e Luz de Pouso Alegre, que obteve da Câmara Municipal a concessão para explorar o fornecimento de luz na cidade, durante 25 anos, através da Lei nº 49, de 18 de novernbro de 1905. A referida companhia prestou serviços a contento até 1925, quando então se sentiu a necessidade de uma reforma da iluminação elétrica, sendo construída, durante a administração do prefeito Olavo Gomes de Oliveira, uma nova usina de força no distrito de Borda da Mata, com linha de transmissão para Pouso Alegre, onde foi inaugurada em 11 de agosto daquele ano, constando um grupo de geradores de 330 cavalos de força, cada um, e com o assentamento de novos postes Manesmann, em substituição aos de madeira, na Avenida Dr. Lisboa.
Em 1927, com a companhia já encampada pela Câmara Municipal, inaugurou-se uma nova iluminação na Av. Dr. Lisboa, que obedecia a um moderno sistema de fios subterrâneos, com postes de cimento nas calçadas e globos leitosos embutindo as lâmpadas, e no centro da avenida postes de ferro com lampadário elétrico, artisticamente trabalhados.
Com o crescimento da cidade e a expansão do serviço de eletricidade, a companhia não pôde acompanhar o progresso, tornando-se bastante deficiente com o passar dos anos. Com humor, o povo fazia críticas, censurando as deficiências do serviço público, dizendo: "Pouso Alegre, cidade que seduz, de dia falta água e à noite falta luz".
Em 1941 sofreu um colapso total, ficando a cidade às escuras durante cerca de seis meses. Os pouso-alegrenses passaram então a imitar os seus ancestrais, usando, cada um, uma lanterna, lampião ou vela, tornando bastante pitorescas as noites pouso-alegrenses, como nos idos do século passado.
Nessa ocasião o Cine Glória exibia um seriado, que foi interrompido, no qual um vilão mascarado, intitulado a "Caveira", causava grande sensação. Motivado pela escuridão reinante, um indivíduo que nunca foi identificado passou a imitar a "Caveira", causando sustos e chegando até a agredir com chicotadas os transeuntes desavisados. A cidade ficou em alvoroço. Bandos de moleques percorriam, em grupos, as ruas da cidade à procura do mascarado, o qual aparecia sempre nos lugares mais imprevistos. As peripécias da "Caveira" eram publicadas, em série, pelo jornal "O Linguarudo" e despertavam grande curiosidade. O misterioso indivíduo nunca foi pego, causando inúmeras conjeturas sobre a sua identidade.
Em 1950 o serviço de eletricidade foi vendido à Companhia Sul Mineira de Eletricidade, sofrendo, então, reforma que o melhorou consideravelmente. Anos depois, a companhia foi encampada pela CEMIG.
Curiosidades
O Ribeirão das Mortes
O Banquete dos Pobres
Enforcamento
O Largo da Matriz
O Largo do Rosário
O Largo da Cadeia
Ruas e Praças
Um Pouso muito Alegre
O "Lava-cavalo"
Entretenimento
Carnaval
A Rede Mineira de Viação
Iluminação
Coincidências
Crime e Castigo
Crime do Senador
* Estórias do Mandu - Eduardo Toledo
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