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Carnaval
Entre as festas populares que mais entusiasmam os pousoalegrenses, o carnaval sempre ocupou um lugar de destaque. No passado, ele surgiu, de maneira tímida, apresentando-se na avenida blocos com poucos figurantes e modestas fantasias, evoluindo com o tempo até se apresentar, em anos mais recentes, com luxuosas fantasias, ricos carros alegóricos e um grande número de foliões.
Entre os blocos carnavalescos que animavam no passado o carnaval pouso-alegrense, destacamos o "Socega Leão" (assim com C), que nasceu em 1936, do entusiasmo de um grupo de foliões: Manuel Mayor - o Nélito, Amaury e d. Virgínia Brandão, Ivete Ferreira, José Letango, José Meira e com apoio do capitão Pedro Narciso, Porfírio Ribeiro de Andrade e Costinha, que organizaram o bloco com parcos recursos e confeccionaram, com as próprias mãos, as fantasias. O nome do bloco foi tirado de uma marchinha carnavalesca que dizia: " ... Cuidado Lily se a moda pega, alô boy, sossega leão...".
A primeira apresentação do bloco foi em 1936, com uma fantasia muito simples, porém original, de malandro de camisa listrada, melhorando nos anos seguintes com a apresentação de ricas fantasias e carros alegóricos, tudo de acordo com o enredo.
Na mesma época, em 1937, nascia o bloco "Aristocrático", dirigido por Benedito de Souza, Argentino de Paula e Juca Campos, que era o grande rival do Socega, que dividiam as preferências do público, formando-se fanáticas torcidas, cada bloco procurando suplantar o outro. Essa rivalidade estimulou o carnaval nos anos subseqüentes, culminando com o carnaval de 1939, que foi um dos mais animados e bonitos já realizados. O entusiasmo foi tanto que surgiram nesse ano os seguintes blocos: "Aí vem a Marinha!", organizado por sargentos do 8º R.A.M., que apresentou um carro alegórico de grande sucesso - um navio de guerra, cujos canhões, verdadeiros, atiravam confete sobre o público; "Advinha se é capaz ?", organizado pelas famílias Serra e Beraldo, apresentando-se com luxuosas fantasias; "Estudantes do Céu", organizado por Ubaldo Carvalho; "28 de Setembro", clube de famílias negras, tradicional em Pouso Alegre, que nunca esteve ausente dos carnavais; "Flor de Ipê", organizado por Pedro Lúcio Andrade e, até mesmo, um bloco de meninos, o "Ali Babá".
Cada bloco tinha a sua própria orquestra, que executava as marchinhas do camaval, cantadas pelos figurantes, assim como pela torcida. Muitas destas músicas serviam de enredo para a coreografia, as fantasias e os carros alegóricos.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, o carnaval sofreu um hiato, só reaparecendo anos depois, embora sem aquele mesmo entusiasmo. Em 1960 reapareceria o Sossega (agora com dois S) e o Aristocrático, voltando paulatinamente a alegria e o entusiasmo do passado. Por volta de 1963, convidou-se os blocos santarritenses, "Democrático" e "Ride Palhaço!", para se exibirem em Pouso Alegre, exibição essa que teve o efeito de desafiar a nossa capacidade de realizar um carnaval semelhante, tal a beleza das fantasias e dos carros alegóricos, que muito impressionaram o público. Em conseqüência, no ano de 1964, o carnaval pouso-alegrense renasceu com todo o vigor, apresentando uma nova fase de luxo e beleza, que nada ficava a dever ao carnaval de Santà Rita do Sapucaí. Esta foi a fase de ouro do nosso carnaval, pela beleza, pelo luxo e bom gosto. O Sossega, como sempre, voltou a brilhar. O Aristocrático, porém, sofreu uma dissidência e dividiu-se em dois novos blocos: o "Skindô" e o "Ilu Ayê". Nasceu, então, uma rivalidade entre estes blocos, que os incentivava a se apresentarem cada um melhor que o outro. Os próprios figurantes e simpatizantes contribuíam com o seu esforço na confecção das fantasias, carros alegóricos, e na arrecadação de dinheiro, resultando daí um carnaval de alto nível, com carros alegóricos e fantasias luxuosas. Porém, com o aumento excessivo das despesas, tomou-se proibitiva a realização do carnaval, que passou a ser realizado em anos intercalados, decaindo aos poucos o seu entusiasmo até desaparecer.
Na década de 80, surgiram novos blocos e escolas de samba como "Unidos da Tijuca", "Império do Mandu" e o próprio "Skindô", que apresentavam um carnaval sob novos moldes e com uma coreografia mais modernizada. De 83 a 88 foi criado também o "Baile de Rua", com bailes durante o carnaval na Av. Dr. Lisboa, que atraiam multidões de Pouso Alegre e região.
Após 12 anos apagado, em 2001, Pouso Alegre voltou a ter desfiles e bailes na Av. Dr. Lisboa, atraindo um público de mais de 30 mil pessoas por noite.
Curiosidades
O Ribeirão das Mortes
O Banquete dos Pobres
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O Largo do Rosário
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Carnaval
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* Estórias do Mandu - Eduardo Toledo
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