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O Ribeirão das Mortes
Uma narrativa pitoresca refere-se à imagem do Senhor Bom Jesus dos Mártires, ou do Matozinho, que se encontra no altar-mor da Catedral, e em torno da qual giram várias versões quanto a sua procedência. Porém, ninguém jamais pôde afirmar, com certeza, como se instalou na primitiva Capela do Mandu, passando depois para a velha Catedral, já demolida e chegar até nossos dias. Quando da primeira petição dirigida ao prelado de São Paulo, Dom Manoel da Ressurreição, em 1792, pedindo a ereção de uma capela no povoado, a imagem já se achava sob a guarda de Ângelo Gomes Moreira, o zelador da imagem, a qual teria sido obtida do vigáirio de Santana do Sapucaí (Silvianópolis) para a futura capela.
Conta a tradição que essa imagem fora levada por empréstimo para a Capela do Mandu pelo pároco, pe. José de Mello, para facilitar o culto e a assistência religiosa dos fiéis do Arraial de Pouso Alegre.
Depois de algum tempo, o povo de Santana do Sapucaí, inconformado com a demora da permanência da imagem em Pouso Alegre, reclamou-a de volta. Entretanto, o povo do Arraial, que já havia entronizado a imagem de Cristo crucificado como patrono da Capela do Mandu, recusou-se a devolvê-la.
O povo de Santana, revoltado com a recusa resolveu, então, resgatar a imagem a qualquer preço, alegando ter sido ela roubada do altar de sua igreja. Para esse fim organizou-se um exaltado grupo de pessoas, ou um bando como se dizia, com o intuito de arrecadar a imagem, o qual se dirigiu para o Arraial do Mandu disposto a tudo.
O povo do Mandu, avisado da aproxirnação dessa belicosa comitiva, e da sua intenção, saiu ao seu encontro, o qual se deu além do Morro das Cruzes, nas proximidades de um córrego que nasce na Serra do Cantagalo e que corre dali em direção ao Rio Sapucaí, conhecido em tempos idos por Ribeirão dos Macacos. O combate entre os dois bandos foi violento. Municiados todos com bacamartes, garruchas e porretes, a luta se feriu às margens do riacho, que ficou tinto de sangue.
Os santanenses, em desvantagem numérica e impossibilitados de prosseguir na luta, devido ao número de mortos e feridos, tiveram que se retirar sem conseguir o seu intento.
Desde então, o ribeirão e o próprio bairro passaram a se chamar Ribeirão das Mortes, permanecendo para sempre em Pouso Alegre a irnagem do Senhor Bom Jesus dos Mártires.
Uma outra versão conta que a imagem fora levada, por empréstimo, de Santana para a Capela do Mandu. Demorando ali a imagem, o povo de Santana a reclamou. O povo do Arraial do Mandu, muito a contragosto, concordou em devolvê-la. Porém, ao tentarem removê-la para a sua igreja de origem, uma forte tempestade impediu o seu retorno. Por três vezes tentaram reconduzí-la, e todas as três vezes desabou uma terrível tempestade. Viu-se nessas coincidências o desígnio da Provídência. Assim, a imagem do Senhor Bom Jesus permaneceu em Pouso Alegre, protegendo para sempre o burgo nascente...
"Se non é vero, é bene trovato.
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