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O Mercado Municipal
Para a construção da Capela do Mandu, foi doado à Igreja em 1796, por Antônio José Machado, um património constituído de terras, o qual se localizava onde é hoje a Praça Senador José Bento e proximidades, fazendo parte desse património o terreno onde hoje localiza-se o Mercado Municipal.
Em 1893, sentindo a municipalidade a necessidade de se construir um mercado onde os agricultores e comerciantes pudessem vender os seus produtos, a Câmara Municipal entrou em negociações com o vigário, cônego Vicente de Mello César, para a compra do referido terreno, situado no largo, então denominado Visconde do Rio Branco, pretendendo a Câmara fazer uma desapropriação amigável pela quantia de 2:000 000 (dois contos de réis).
A comissão de obras da Matriz (que estava em reforma na época) achou oportuna a venda do referido terreno, que se efetuou e foi lavrada em cartório do tabelião Luiz Rodrigues de Miranda, em 10 de junho de 1893. A comissão de obras era constituída pelo seu presidente, cônego Vicente de Mello César, Alberto Bressane Lopes, capitão Cândido Antônio de Barros, capitão João Xavier de Rezende e Belizário Paulino de Assis (vendedora) e como compradora a Câmara Municipal, representada pelo seu presidente e agente executivo, José Joaquim Vieira de Carvalho. O objeto da venda era um terreno com uma casa e benfeitorias, situados no largo, fazendo frente para a rua do mesmo nome, Visconde do Rio Branco, e fundos até à Rua da Princesa Imperial, atual Adalberto Ferraz.
No mesmo ano erguia-se o Mercado Municipal, cuja construção original era dotada de um corpo central, dividido em compartimentos e dois lances laterais, onde o comércio de hortaliças, frutas, aves e carnes era feito em toda a extensão da calçada, em frente da residência do cel. Julião Meyer, de um lado, e por outro lado com dona Maria do Carmo Silveira e outros.
O largo era fechado na sua extremidade, nos fundos do Mercado, por casas de comércio, com saída para a Rua da Princesa Imperial (Adalberto Ferraz e Cel. Otávio Meyer). Uma rua estreita - atual Av. Duque de Caxias - continuava em direção ao bairro do Rosario. Naquele local foram plantadas algumas árvores de grande porte, e sob suas imensas copas ficavam os carros de boi, sem as suas respectivas juntas, ou carroças carregadas de produtos destinados à venda.
No come¨o do sˇculo o Mercado sofreu reforma, ficando mais funcional e ganhando nova
fachada, com janel›es com arcos, destacamdo-se a porta de entrada, com escadaria e
elevando-se como uma torre.
O Mercado regurgitava com a afluência extraordinária, nos fins de semana, de negociantes e compradores, e intenso movimento de carroças e carros de boi, pertencentes a sitiantes que ali vinham expor os seus produtos, tais como, queijos, rapaduras, farinha de mandioca e de milho, fubá, toucinho, além de gêneros alimenticios e carnes. Nos fundos vendiam-se, pendurados em varais, frangos vivos ou peixes - pescados na véspera no Rio Mandu ou Sapucaí.
Ao redor do Mercado ficavam os carrinhos de mão, feitos de caixotes, dirigidos por moleques que faziam o transporte das compras até as residências, ao preço de 400 réis. Contratado pelos fregueses, o moleque os acompanhava pelo Mercado carregando a cesta de vime, que ficava abarrotada de hortaliças, frutas e cereais. As compras eram feitas, geralmente, por donas de casa, que dedicavam o sábado para fazer as provisões do lar necessárias para toda a semana. Por isso o Mercado servia também como ponto de encontro de amigas e comadres, que aproveitavam a oportunidade para uma breve conversa ou fofoca. Eram muito apreciados os pastéis de farinha de milho e o arroz doce, vendidos nas bancas, assim como a garapa de cana-de-acúcar, que era moída na hora. As crianças se deliciavam com as bolachas, em forma de bichinhos, vendidas pelo Miguelão.
Em 1941, o Mercado Municipal foi ampliado e melhorado pelo prefeito Vasconcelos Costa.
Em 1970, na administração do prefeito Antônio Duarte Ribeiro, o Mercado sofreu uma reforma geral, sendo quase todo reconstruido e ampliado até a Praça Dr. José Garcia Coutinho, tornando-se mais amplo, como o conhecemos atualmente.
Comércio
Acipa
Casa Sarkis
Planejar
O Mercado Municipal
"O Comércio mais antigo de Pouso Alegre"
* Estórias do Mandu - Eduardo Toledo
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