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Cinema

Com a invenção do cinematógrafo, como se chamava na época, a arte cinematográfica começou a dar os seus primeiros passos, despertando um grande interesse por parte dos aficionados que freqüentavam em grande número, as salas de exibição.
Pouso Alegre, que também acompanhava com interesse o progresso dessa nova arte, sempre teve no passado o seu cinema: a princípio, o Cine Bijou-Teatro no Largo da Cadeia, depois o Cine Íris, na Praça Senador José Bento, em seguida o Cine Éden, na Avenida Dr. Lisboa e, em anos mais recentes, chegou a ter até quatro cinemas: Cine Eldorado, Cine Glória, Cine Avenida e Cine Santuário.
Faziam sucesso os filmes europeus e americanos, despertando entre os pouso-alegrenses uma verdadeira paixão pelo cinema. Por serem mudos, durante exibição dos filmes uma orquestra local, constituída de violinos, piano (Noêmia Duarte, Maria Auxiliadora Mayor), flauta e outros instrumentos, acompanhava o desenrolar da história com músicas apropriadas e previamente ensaiadas. Nos intervalos molhava-se a tela, para obter-se uma projeção mais nítida e evitar o superaquecimento, com medo, talvez, de um incêndio.
O interesse dos pouso-alegrenses pela Sétima Arte, porém, não se limitou apenas à freqüência das salas de projeção, mas também criação de uma incipiente indústria cinematográfica, de caráter doméstico, em Pouso Alegre, graças ao jovem Francisco de Almeida Fleming, natural de Ouro Fino, que era gerente do Cine Íris. Fleming, numa tentativa pioneira no interior do país, realizou oito filmes, com recursos e técnicas próprias, com o concurso de artistas amadores locais. Em 1919 Fleming começou a sua carreira cinematográfica com uma experiência inicial, produzindo um curta-metragem intitulado "Coração Bandido", cujo negativo, enviado para São Paulo para revelação e copiagem, lá perdeu. No ano de 1921, com os seus planos mais aperfeiçoados, produziu o seu primeiro filme de longa-metragem: "In Hoc Signo Vinces", enredo bíblico, que foi mandado também para São Paulo para revelação e cópia, e mais uma vez se perdeu, por motivo de uma inundação que alagou os porões do laboratório onde se encontrava. Apesar desses contratempos, o incansável Fleming não desanimou, e em fins de 1924 realizou a sua obra-prima, extraída do romance de Bernardin Saint-Pierre, "Paulo e Virgínia", o qual tinha por cenário as vargens dos rios Mandu e Sapucaí, e uma cena de naufrágio realizada no porto de Santos, num velho navio ali ancorado. Algumas cenas interiores foram realizadas no próprio Citie Íris, onde foram montados os cenários. Desempenhara os papéis principais Rosalita de Oliveira e Paulo Rosanova, artistas vindos do Rio de Janeiro. Durante as filmagens, Jacinto Libânio era o auxiliar valioso de Fleming, na montagem dos cenários, na confecção dos costumes, interpretação e maquilagem, e tendo como operador Nicolau Laraia. É relevante observar que numa época em que o cinema era mudo, Fleming sonorizou os seus filmes, um fato, então, inédito no país. Fleming foi o pioneiro no Brasil na produção e filmagens sonoras, musicais e até faladas, em sincronia com o gramofone, que era o aparelho de som usado na época.
Manoel Coutinho de Resende, no seu livro "Do Rio Tinto ao Vale do Sapucaí", descreve-nos alguns detalhes do filme: Francisco Fleming, o Francisquinho, como era conhecido, em 1925 ou 1926, realizou em Pouso Alegre uma experiência de filme falado. O nome desse filme era "Paulo e Virgínia", e ele contou para filmá-lo com uma equipe escolhida por ele mesmo entre os moradores da cidade. Houve dificuldade na escolha de quem representasse Virgínia, por haver cenas de beijos, condenadas pela moral provinciana da época. Para servir de estúdio, foi construido um barracão de madeira na propriedade de Vítor Larala, mais ou menos em frente do estádio do PAFC, situado entre a Rua Comendador José Garcia e a Vargem do Sapucaí. Havia no filme uma cena de naufrágio, e para a sua filmagem foi represado um pequeno córrego para formar um lago, na esperança de se movimentar artificialmente a água para imitar o mar, e adquirido em São Paulo uma miniatura de navio que afundaria em suas águas. Porém, por falta de recursos técnico, a cena não deu certo, sendo filmada posteriormente em Santos. Fleming inventou um sistema que interligava as cenas mudas e faladas, que, devido a sua precariedade, eram imperfeitas e saiam, às vezes, desencontradas. Esse filme foi exibido em várias cidades, inclusive no Rio de Janeiro, sendo muito elogiado pelo seu pioneirismo.
Em 1927, Fleming filmou ainda "O Vale dos Martírios", e em seguida, "Desafio de Caipira", "Minha Cara Bô", "Canção de Carabú" e "Capital Federal".
Outras realizações cinematográficas, em Pouso Alegre, foram levadas a efeito em 1938 e 39 por Manoel Cejas Carrascosa, espanhol aqui radicado, professor de desenho do Ginásio São José e fotógrafo amador. Além de vários documentários sobre comemorações cívicas e festas religiosas, Carrascosa realizou um curta-metragem intitulado: "Pedro Malazartes", uma comédia baseada na conhecida história popular, com a participação no papel-título do sargento Basílio, mais Geraldo Narciso Brasil, José de Paiva Toledo e Orfeu Butti.
Em anos mais recentes - 1968, Expedito Gonçalves Teixeira, fotógrafo e entusiasta da arte cinematográfica, realizou os filmes de curta-metragem: "O Roubo do Automóvel" e "Sonho de Garimpeiro" (produção de Jorge Kersul), com artistas amadores locais, além de um longa-metragem, em 1975,, com artistas profissionais, intitulado: "Aruã na Terra dos Homens Maus".

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