| Teatro Municipal
Demonstrando uma grande sensibilidade artística, o povo de Pouso Alegre tem apresentado,
desde o princípio de sua história, uma acentuada predileção pelo teatro.
Coube ao senador José Bento plantar a semente, no primeiro quartel do século 19,
promovendo saraus artísticos que despertavam o interesse e o gosto da população pela
arte cênica. Com a morte do senador, a semente lançada germinou, e em 1873 surgia o
grupo artstico União e Progresso, um grupo de amadores que realizava as suas
apresentações com o objetivo de arrecadar meios para a construção de um teatro. Com as
importâncias arrecadadas e as contribuições do povo foi construido, em 1875, o Teatro
Municipal de Pouso Alegre, que era uma miniatura do afamado teatro de Ouro Preto.
Além do grupo local de amadores, o Teatro passou a apresentar também grandes companhias
internacionais, sempre com a casa lotada, como a renomada artista francesa Tati, em 1899,
a Companhia Santos (de Portugal), o grupo espanhol "Esperanza Dias",
"Carrara", "Olavo Barro" e muitas outras, sendo encenadas peças
famosas como "Tosca", "Tiradentes" e "Comboio nº 6".
No começo do século surgiram vários grupos de amadores, que deram seqüência à
vocação dos pouso-alegrenses para a arte teatral, destacando-se os grupos encabeçados
por Zoroastro Ferraz Cruz, Aspásia Amaral, e a família Meireles. O Dr. Garcia Coutinho
destacou-se nos anos 20, encenando peças e revistas de sua autoria, compondo os textos,
música, idealizando e confeccionando ele próprio os cenários. Surgiu ainda, no anos 40,
no cenário teatral, o professor Ferreira da Cunha, destacando-se no gênero da comédia,
com textos de sua autoria e ensaios sob sua direção. Todos alcançaram grande sucesso.
O prédio do Teatro, com o tempo, necessitando de reparos, sofreu algumas modificações.
A fachada original tomou nova feição, construindo-se uma nova frente, de linhas
sóbrias, mas de bonita aparência, e o seu interior, que tinha três alas de camarotes
superpostos, passou a ter somente um balcão com frisas.
Em 1932 transformou-se em cinema, o Cine Eldorado, permanecendo assim por vários anos, e
depois em Rádio Clube, a PRJ7, com apresentações de programas de auditório, teatro e
cinema (Cine Avenida).
O Teatro passou também por momentos críticos, abandonado e fechado por longo tempo. Foi
sede de uma casa de móveis, Delegacia de Policia e mesmo ameaçado de ser vendido.
Recentemente sofreu duas reformas, e se transformou na melhor casa de espetáculos do
interior mineiro, voltando à sua função original de teatro.
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